Os confrontos entre policiais e manifestantes registrados hoje durante as celebrações do Dia do Trabalho em Istambul deixaram ao menos 30 feridos, entre eles sete agentes de segurança e dois jornalistas, informou a emissora CNN Türk, que ressaltou que 20 pessoas também foram detidas.
A decisão das autoridades de proibir a tradicional celebração na praça Taksim, que está passando por algumas obras, e a insistência dos sindicatos de comparecer a este emblemático lugar deram início aos intensos confrontos na capital turca, um fato que supôs o 1º de Maio mais violento dos últimos anos.
Para evitar os confrontos, as autoridades deslocaram 20 mil policiais para os arredores da praça e também suspenderam o transporte público para impedir que os manifestantes chegassem ao local.
Os confrontos entre manifestantes e agentes de segurança começaram no início da manhã em pontos estratégicos situados a mais de um quilômetro da praça, onde os cordões policiais, munidos de máscaras de gás, impediam o avanço dos manifestantes que seguiam em direção a Taksim.
Após serem dispersados com uso de bombas de efeito moral, os manifestantes passaram a lançar pedras contra os agentes, que, em resposta, intensificaram a repressão com uso de gás lacrimogêneo e jatos de água, fato que originou uma batalha campal que se prolongou durante horas.
Finalmente, por volta da 1h local, os grupos sindicalistas desistiram de furar o cordão policial e encerraram seus protestos com uma concentração na Praça de Besiktas, onde menores incidentes também foram registrados.
"Vinte e dois agentes da polícia ficaram feridos nos incidentes", indicou o governador, Avni Mutlu, diante dos jornalistas, após os tumultos, indicando que um deles tinha sido submetido a uma cirurgia devido a um traumatismo craniano.
Três civis que participavam de protestos ficaram feridos, acrescentou, atribuindo a responsabilidade pelos incidentes a "grupos de marginais".
Jornalistas da AFP no local viram cerca de dez manifestantes feridos, a maior parte com problemas cardíacos causados pelo gás lacrimogêneo utilizado excessivamente pela polícia anti-motins.
Um fotógrafo da AFP também foi agredido por manifestantes anarquistas nas imediações da praça Taksim.
O que hoje ocorreu em Istambul "é terrorismo do Estado", declarou à Efe Ismail Hakki Tombul, secretário-geral da Confederação de Trabalhadores Públicos (KESK).