Professores saíram da Prefeitura de Campo Grande, ontem à tarde, sem nova proposta de reajuste salarial. O prefeito Alcides Bernal (PP) disse ser impossível o pagamento dos 31,61% de aumento necessários para que os salários dos professores que trabalham 20 horas por semana equipare-se ao piso nacional.
Apesar da revolta da categoria, que até aceitaria receber o reajuste parcelado neste ano, ainda não há data marcada para a greve. Bernal quer dar 8% de aumento aos professores neste ano.
Na segunda-feira, a diretoria do Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da EducaçãoPública (ACP) se reunirá novamente com o prefeito e na terça-feira, às 8h, nova assembleia geral será realizada na sede da entidade. Professores prometem tomar medidas mais radicais a partir da semana que vem, caso Bernal não melhore a proposta.
O prefeito quer pagar o piso nacional só em 2015, contrariando o que está estabelecido na lei municipal 5.060, aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo ex-prefeito Nelson Trad Filho (PMDB), no ano passado. Pela proposta de Bernal, neste ano, os professores ganhariam 8% de aumento, quase o mesmo que os 7,5% proposto ao restante dos servidores.
Em maio do ano que vem, a categoria teria aumento suficiente para que o salário base chegasse a 87,40% do piso nacional e, em outubro de 2014, chegaria a 92,20%. Em maio de 2015, o pagamento alcançaria 96,4% do piso e, finalmente, em outubro, 100%. Isso tudo respeitando as correções sofridas anualmente no piso nacional.
Professores, no entanto, querem receber 31,61% neste ano, como ficou garantido na lei 5.060, que concedeu reajuste ao serviço público municipal no ano passado e está sendo contestada no Ministério Público Estadual (MPE) a pedido do próprio Bernal.
O maior aumento de salário, se aprovado na assembleia convocada pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Campo Grande para o dia 7, será dado aos administrativos, 18%. A categoria é composta por 8 mil funcionários, enquanto os professores são 5 mil.