Passou de 800, hoje, o número de pessoas mortas na maior tragédia da indústria têxtil de Bangladesh. Familiares das vítimas ainda lutam para identificar os corpos, muitos já em estado avançado de decomposição.
Segundo o Exército de Bangladesh, nas últimas horas, as equipes de resgate recuperaram 51 corpos entre os destroços do edifício Rana Plaza, perto de Dacca, a capital do país, que desmoronou no dia 24 de abril. Mais de 2.400 pessoas ficaram feridas.
De acordo com informação oficial publicada pelo jornal local "Bdnews24", 580 corpos foram entregues às famílias, porém os outros ainda precisam ser identificados e um número indeterminado permanece sob os escombros.
O presidente do Crescente Vermelho local, M.S. Akbar, relatou que o trabalho de algumas organizações humanitárias na catástrofe se concentra agora no apoio aos sobreviventes e em ajudar as pessoas que "choram para encontrar os corpos de seus familiares".
De acordo com Akbar, o estado de decomposição de alguns dos corpos é tão avançado que optaram pela identificação dos cadáveres através de provas de DNA, e 64 deles precisaram ser enterrados sem ter sido devolvidos a seus familiares.
O desabamento comoveu Bangladesh e evidenciou as más condições de trabalho que o setor têxtil do país oferece. As marcas internacionais de vestuário Primark, El Corte Inglés, Bon Marché, Joe Fresh e Benetton confirmaram que algumas das empresas locais envolvidas no acidente são suas fornecedoras.
Hoje, o governo bengali anunciou o fechamento de 18 fábricas do país que não cumprem os requisitos de segurança. "O governo fechou 18 fábricas, 16 em Dacca e duas em Chittagong, a segunda maior cidade do país", afirmou em entrevista o ministro bengalês de Têxtil e Juta, Abdul Latif Siddiqui.
O ministro declarou que não desejam "outra derrota para a humanidade", portanto estão levando a sério "a segurança dos trabalhadores em seus locais de trabalho seguindo as diretrizes do presidente do governo".