O Ministério da Justiça e o Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (Unodc) lançaram nesta quinta-feira a Campanha Coração Azul, contra o tráfico de pessoas. De caráter mundial, a campanha agora terá a sua versão brasileira para mobilizar a sociedade contra esse crime. Relatórios oficiais mostram que há mais de 2 milhões de vítimas traficadas em todo o planeta.
Implementada pelo Unodc em 10 países, a campanha tem como símbolo o Coração Azul, que representa a tristeza das vítimas deste tipo de crime e lembra a insensibilidade daqueles que compram e vendem seres humanos. O uso da cor azul também demonstra o compromisso da ONU com o ombate ao tráfico de pessoas.
Para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a campanha põe em prática um dos principais compromissos do II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, recentemente lançado. "O mais importante é sempre evitar o crime. A prevenção será estimulada com a campanha, para que as pessoas tomem consciência, denunciem e permitam ao Estado articular suas ações de repressão e de proteção às vítimas", afirmou.
O diretor-executivo do Unodc, Yuri Fedotov, destaca que o tráfico de pessoas envolve milhões de vítimas e gera bilhões de dólares para redes criminosas. "Nenhum país consegue escapar desse crime terrível que viola diretamente os mais fundamentais direitos humanos. Portanto, todas as nações têm a responsabilidade de confrontá-lo”, disse ele.
No Brasil, de 2005 a 2011, foram investigadas 514 denúncias desse crime. Dois terços (344) dos inquéritos são relacionados com trabalho escravo, outros 157 são de tráfico internacional e 13 investigaram tráfico interno de pessoas, modalidade onde o índice de denúncia é muito baixo. A atuação do Estado brasileiro resultou no indiciamento de 381 suspeitos. Por causa de limites da legislação e de dificuldades em reunir provas, apenas 158 foram presos.