Duas vítimas da tragédia na boate Kiss tiveram alta nesta quarta-feira, depois de 122 dias de internação. Cristina Peiter, 23 anos, e Marcos Belinazzo Tomazetti, 25 anos, que estavam internados no Hospital de Clínicas, em Porto Alegre, voltaram para casa.
A estudante de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foi levada para a cidade de Casca pelos pais, depois de almoçar com familiares em Porto Alegre. Cristina chegou a ficar 25 dias no Centro de Terapia Intensiva do Hospital de Clínicas e três meses sem poder falar. Ela teve 22% do corpo queimado.
Duas vítimas do incêndio na boate ainda seguem internadas. Renata Pase Ravanello está no Hospital de Clínicas e pode ir para casa nos próximos dias. Já Ritchieli Pedroso Lucas está no Hospital Mãe de Deus e ainda não tem previsão de alta. Ela perdeu a irmã, Driele Pedroso Lucas, que foi a 241ª vítima da tragédia.
Incêndio na Boate Kiss
Na madrugada do dia 27 de janeiro, um incêndio deixou 242 mortos em Santa Maria (RS). O fogo na Boate Kiss começou por volta das 2h30, quando um integrante da banda que fazia show na festa universitária lançou um artefato pirotécnico, que atingiu a espuma altamente inflamável do teto da boate.
Com apenas uma porta de entrada e saída disponível, os jovens tiveram dificuldade para deixar o local. Muitos foram pisoteados. A maioria dos mortos foi asfixiada pela fumaça tóxica, contendo cianeto, liberada pela queima da espuma.
Os mortos foram velados no Centro Desportivo Municipal, e a prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde prestou solidariedade aos parentes dos mortos.
Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.
Quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investiga documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergem sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.
A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.
No dia 25 de fevereiro, foi criada a Associação dos Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss em Santa Maria. A associação foi criada com o objetivo de oferecer amparo psicológico a todas as famílias, lutar por ações de fiscalização e mudança de leis, acompanhar o inquérito policial e não deixar a tragédia cair no esquecimento.