Depois de muita discussão, troca de acusações e pedido de trégua, os 19 vereadores da oposição criaram a CPI do Calote para fazer devassa nos contratos da prefeitura com as empresas prestadoras de serviços e os motivos do prefeito Alcides Bernal (PP) para não pagá-las.
Para escapar das investigações, a oposição deu prazo de 48 horas para Bernal usar parte dos R$ 617 milhões em caixa para pagar a dívida ou justificar o calote. O líder do prefeito, vereador Marcos Alex (PT), fez veemente apelo à oposição para deixar a CPI de lado e buscar o entendimento por meio do diálogo.
Numa manobra para ganhar tempo para o secretário de Planejamento, Finanças e Controle, Wanderlei Ben Hur, chegar à Câmara com os relatórios, o líder do prefeito andava de um lado para o outro solicitando aos vereadores que não instaurassem a CPI e que “dialogassem democraticamente” antes de tomar tal decisão.
Isolado, Alex solicitou ao seu colega de partido, vereador José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, para ajudá-lo na discussão. Após o pedido, Orcírio foi ao microfone. “Não podemos sofrer com a exposição da banalização da criação de CPIs dentro dessa Casa”, argumentou.
Após quarenta e cinco minutos de discussão e atraso, o secretário de Bernal chegou ofegante, esperando que fosse atendido. Mesmo com a opção de pedir o afastamento de Wanderlei do cargo, devido ao atraso em responder ao requerimento, o presidente da Casa de Leis, vereador Mario Cesar (PMDB), recebeu os documentos.
Apesar da entrega, com atraso, dos documentos e depois de muita especulação, as assinaturas para abrir a comissão parlamentar de inquérito aumentaram de 12 para 19.
Sendo assim, sem mais postergação, Siufi apresentou o requerimento para a abertura da CPI.
“Está aberta a CPI. Em 48h será avaliado o mérito, mas ela já está instaurada”, disse Siufi.
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