Um índio morto e outro correndo o risco de ficar paraplégico é, por enquanto, o desfecho da onda de conflitos ocorridos a partir do dia 30, 12 dias atrás, na região de Sidrolândia, cidade distante 70 km de Campo Grande. Investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF) cercou-se pelo sigilo imposto pelas duas instituições.
Até agora, não se sabe o calibre da arma que matou o índio no dia do conflito, nem o autor da emboscada que deixou um índio ferido nas costas seis dias depois. O primeiro crime ocorreu enquanto policiais federais e militares cumpriam reintegração de posse na Fazenda Buriti, ocupada por cerca de 400 índios, que resistiram à ordem judicial.
Entidades como o Conselho Missionário Indigenísta (Cimi) e lideranças indígenas já demonstram apreensão com a velocidade da investigação. “A morosidade em nada corresponde com a urgência do caso”, disse Flávio Vicente, coordenador regional do Cimi.
Vinícius Jorge Terena, da Comissão de Assuntos Fundiário da Terra Indígena Buriti, que compreende as aldeias da região, disse que a investigação deve ser cautelosa para que não se cometa “equívocos”. No entanto, ele acha que os próprios policiais que agiram na ação de despejo, “se quisessem”, já poderiam ter contribuído com a apuração. Ele afirma ainda que o cumprimento da reintegração de posse “começou e terminou errado”. Isso porque, segundo Terena, os policiais deviam ter comunicado outras autoridades antes de seguir para a fazenda. “Com diálogo tudo se resolve e nada disso poderia ter acontecido”.
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