O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF/MS) intermediou acordo para o sepultamento do indígena Celso Figueiredo, morto em uma emboscada na Fazenda Califórnia, em Paranhos, fronteira do Brasil com o Paraguai, na última terça (12).
O proprietário da fazenda e as lideranças indígenas concordaram que o sepultamento ocorresse no cemitério da Aldeia Paraguassu, à qual pertencia o indígena assassinado. No local da morte, dentro da fazenda, será colocada uma cruz e os indígenas terão livre acesso ao lugar.
Também ficou definido que somente a Força Nacional irá patrulhar a região e com absoluta prioridade, para evitar conflitos entre índios e fazendeiros, que não manterão vigilância armada no local.
O acordo foi intermediado pelo procurador da República Ricardo Pael Ardenghi. Na tarde de ontem, ele reuniu-se, na Câmara de Vereadores de Paranhos, com o proprietário da Fazenda Califórnia, bem como com representantes da Funai e da Força Nacional. Na saída, houve uma rápida conversa com proprietários rurais, apenas para explicar que no encontro não se discutiu demarcação de terras, mas apenas um acordo para o sepultamento do indígena morto.
Após isso, foi a vez de conversar com a comunidade indígena, que aceitou o acordo.
Impasse
Os indígenas queriam enterrar o corpo de Celso Figueiredo no local da morte, dentro da Fazenda Califórnia, enquanto que o fazendeiro temia uma ocupação da área. A falta de consenso ameaçava extrapolar para a violência.