A física nuclear Regina Borges Prestes César, que atua há 19 anos no setor de radioterapia do Hospital Universitário (HU), afirmou nesta manhã, em depoimento na CPI da Saúde - que investiga a Máfia do Câncer - que o setor de radioterapia do HU está fechado por falta de vontade da atual diretoria.
O setor está fechado desde o dia 6 de junho, quando a unidade recebeu uma carta da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) determinando o fechamento imediato por conta de 22 itens que precisavam ser atendidos. A informação foi dada à imprensa em entrevista coletiva, na manhã do dia 6, pela direção do hospital.
Regina disse que, naquela manhã, estava trabalhando normalmente e que não foi informada sobre o fechamento. “Os 29 pacientes que fazem tratamento no setor foram informados pela imprensa. E aí, como faz?”, questionou indignada. Ela explicou que a interrupção da cobaltoterapia (tratamento utilizado apenas pelo HU no Estado) influencia negativamente no paciente. Uma mudança no tratamento para acelerador linear (usado nas clínicas particulares e HC) também pode prejudicar o paciente.
A profissional defende que, mesmo com essas 22 pendências, o setor poderia continuar funcionando sem prejudicar os pacientes. “São coisas simples. Se fosse seguir à risca o que a vigilância sanitária determina, o primeiro setor a ser fechado do HU seria o Pronto Socorro”, disse.
O item em falta considerado mais importante pela funcionária é o dosímetro (dispositivo que mede a dose de radiação absorvida pelo profissional).
“A atual administração não tem interesse em reativar o setor de radioterapia. Todos os itens pendentes já chegaram, mesmo assim, ele [setor de radioterapia] está fechado”, finalizou Regina.
Represália
Regina relatou que fez todas essas denúncias ao Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF). Por conta disso, depois do depoimento, ela disse ter recebido ameaça, por telefone, de que iriam sequestrar o filho dela.
A CPI irá encaminhar ofício à PF pedindo proteção à profissional.
Nesta tarde, a reitora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Célia Maria Silva Correa Oliveira irá prestar depoimento na Câmara Municipal para a CPI.