O índio terena Josiel Gabriel Alves, de 34 anos, baleado no dia 4 deste mês em Sidrolândia, deve ser transferido hoje da Santa Casa de Campo Grande para o Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. Ele foi atingido quando estava em frente a uma fazenda da região, cinco dias depois de o primo, Oziel Gabriel, 35 anos, ser assassinado durante confronto com policiais, na reintegração de posse da Fazenda Buriti. As investigações relacionadas aos dois casos, do indígena assassinado e do baleado, ainda não avançaram. Não se fala nos resultados dos laudos, em suspeitos e nem em como o trabalho está sendo conduzido. Familiares do índio Oziel Gabriel, morto no dia 30 de maio, aguardam divulgação de resultado do segundo laudo pericial feito no corpo da vítima por três peritos designados pelo Ministério da Justiça, dois dias após o ocorrido, para ingressar com ação de indenização na Justiça.
Segundo informações do coordenador regional do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em Mato Grosso do Sul, Flávio Vicente Machado, a viúva de Oziel (com quem ele tinha dois filhos adolescentes) já procurou a entidade em busca de informações, manifestando interesse em recorrer à Justiça. “A esposa (de Oziel) já nos questionou sobre essa possibilidade e o laudo vai ser o documento principal para a família pedir a reparação do Estado”, comentou o dirigente do Cimi, informando que a assessoria jurídica do conselho pode ser acionada para prestar essa assistência à família, se ela assim desejar.
LAUDO
Pelas informações oficiais divulgadas à época, com base na primeira perícia feita no corpo, o laudo assinado pelo médico-legista Walney W. Pereira apontou que Oziel Gabriel morreu por choque hipovolêmico, decorrente de ferimento por arma de fogo. Conforme o laudo do legista, ele foi atingido por um tiro no abdômen, a bala passou pelo fígado e o projétil saiu pelas costas. Diante da comoção da comunidade indígena e de mobilização do Ministério Público Federal, o Ministério da Justiça destacou três peritos, vinculados ao Instituto Nacional de Criminalística (INC), para que viessem ao Estado fazer segunda necropsia no corpo do indígena. Inicialmente havia a previsão de que esse segundo laudo necroscópico estivesse pronto em 15 dias, permitindo, entre outras informações, apontar qual o calibre do projétil que atravessou o corpo do indígena, mas até ontem nenhum nada havia sido divulgado.