Com a escalada da violência, o número de sírios refugiados no Brasil disparou desde março de 2011, início da guerra civil no país. Há atualmente 202 refugiados sírios no Brasil, sendo que 189 indivíduos chegaram ao país em virtude do conflito.
Somente entre abril e maio deste ano, houve um aumento de 46% no número de refúgios sírios reconhecidos pelo governo brasileiro. Há ainda 50 solicitações pendentes de análise.
Os dados foram divulgados hoje pelo Comitê Nacional para Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça
"Entre os pedidos de sírios, todos foram aprovados pelo governo brasileiro", afirma João Guilherme Granja, diretor do departamento de estrangeiro do Ministério da Justiça.
De acordo com dados também divulgados hoje pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), a Síria encerrou 2012 como o quarto país com o maior número de refugiados no mundo (728.500), atrás apenas do Afeganistão, Somália e Iraque. No ano anterior, ocupava a 36ª posição.
As previsões para este ano apontam para uma piora do cenário. A expectativa é de que 3,5 milhões de sírios estejam refugidos e mais de 6 milhões deslocados internamente ao final de 2013, cerca de 50% da população total.
"Se 2012 foi terrível, este ano será ainda pior", diz o chefe do Acnur e alto comissário da ONU para refugiados, António Guterres.
Apesar do forte aumento no Brasil, o país ainda tem uma pequena participação entre as nações que abrigam sírios.
A condição de refugiado se aplica a quem não pode voltar ao seu país por "fundado temor" de perseguição ligada a raça, religião, nacionalidade, grupo social e posicionamentos políticos.
Números
Em maio, o Brasil possuía 4.336 refugiados reconhecidos pelo governo de 76 nacionalidades.
O relatório não contabiliza a onda de haitianos que têm chegado ao Brasil, pois o refúgio não é dado por desastres naturais. O terremoto de 2010 levou a uma emigração em massa de haitianos.
O número, no entanto, deve cair para cerca de 3.000 por causa de uma decisão do governo, tomada no ano passado, de reconhecer cidadãos de Angola e da Libéria como residentes permanentes, e não mais refugiados.
A justificativa é que os dois países já atingiram um nível aceitável de estabilidade após suas guerras civis.
Atualmente, os principais países de origem dos refugiados no Brasil são Angola, Colômbia, República Democrática do Congo, Iraque, Libéria e Síria.
Entre os Estados brasileiros que mais recebem refugiados estão São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.