Ferido pela Polícia Militar no protesto de ontem em Fortaleza, do lado de fora do jogo entre Brasil e México, o analista de sistemas Luiz Contarini, 52, levou oito pontos na perna esquerda, atingida por uma bomba de gás lacrimogêneo que estourou ao fazer contato.
O protesto teve um saldo de ao menos 18 feridos, sendo 15 manifestantes e três policiais militares. Os confrontos começaram por volta das 12h30 na avenida Alberto Craveiro, quando os manifestantes tentaram passar da barreira policial para se aproximar do estádio Castelão.
A PM reagiu com balas de borracha, gás lacrimogêneo e spray de pimenta. A partir daí, o clima continuou tenso e os policiais militares fizeram diversas ofensivas contra os manifestantes.
Parte dos manifestantes foi para outra rua de acesso ao Castelão, a avenida Paulino Rocha. Lá era onde estava Contarini, já perto do horário do fim do jogo.
Segundo ele, nesse momento os manifestantes estavam pacificamente cantando músicas de protesto, quando a PM partiu para cima para dispersar o grupo, de cerca de mil pessoas.
"Fizeram isso para limpar o caminho para a saída dos torcedores", afirma.
Uma das bombas de gás lançada pela PM estourou ao bater na perna de Contarini, derrubando-o no chão. "Depois disso, ainda tomei três tiros de bala de borracha na perna", conta.
Quem presenciou a cena afirma que até um helicóptero da PM estava sendo usado para lançar as bombas de gás lacrimogêneo.
Com o confronto, os manifestantes se revoltaram e iniciaram a depredação de cercas de metal montadas para mostrar o caminho dos torcedores ao estádio. Até mesmo um fotossensor e um gerador foram quebrados.
Caído no chão, Contarini teve ajuda de um manifestante, que pediu socorro médico a um dos policiais. O policial o levou a uma ambulância e ele foi atendido no posto médico montado do lado de fora do Castelão.
"O médico falou que a sorte foi que cauterizou e não sangrou. Aí não ficou tão grave porque atingiu até o músculo", relata.
Os moradores das imediações se assustaram. "Mandei meu neto entrar para o quarto. A polícia não se lembra que aqui tem crianças, que tem idosos, não se lembra de nada", disse Maria do Socorro, 66.
A tenente Inara Fernandes, do batalhão de cavalaria da PM, afirmou que os policiais estavam sendo agredidos com paus e pedras e que, por isso, tiveram que fazer a dispersão dos manifestantes.