A ineficiência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária em Mato Grosso do Sul (Incra) no gerenciamento e fiscalização da reforma agrária no Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, está comprometendo o projeto. Tido como modelo no País, até mesmo pelas pompas com que foi lançado e pelo dinheiro gasto - cerca de R$ 245 milhões - somente com a desapropriação da Fazenda Itamarati em 2002, o projeto está à beira do fracasso.
Na prática, o Incra perdeu o controle sobre a área, que passa de 50 mil hectares, e hoje tenta reverter o quadro com uma enxurrada de ações na Justiça Federal. A meta é lançar fora das terras pelo menos 800 famílias, de um total de 2,8 mil. São pessoas que ao longo dos anos compraram lotes no local com a conivência ou acobertadas pelo órgão de reforma agrária, conforme descoberto durante a Operação Tellus, da Polícia Federal, em 2010.
Agora há um grave problema social na localidade, com esses adquirentes, chamados de segundos titulares, ameaçados de despejo. Complicando a situação, quase 200 famílias de brasiguaios expulsas do Paraguai por pressões dos campesinos vieram para a região com o aceno de possibilidade de receberem terras que seriam retomadas.
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