Um grupo de aproximadamente 100 pessoas aguarda, sob chuva, uma liberação para entrar nas casas e retirar pertences. O incêndio ocorrido na madrugada de domingo (7) provocou a morte de três pessoas e deixou 19 feridas, três delas em estado grave – um homem e duas mulheres. Segundo o Corpo de Bombeiros, os corpos ainda não foram identificados porque ficaram totalmente carbonizados.
“Estou esperando aqui para ver se ficou algo para eu aproveitar. Mas se entrar ali, é perigoso desabar alguma coisa em cima de mim”, disse Edilson Carneiro de Souza, 35 anos, frentista, um dos moradores que perdeu a casa e todos os móveis. Ele conta que morava em dois cômodos com um amigo e estava sozinho no momento do incêndio. Uma das moradoras é Tereza Martinez, 51 anos, desempregada. Ela conta que morava sozinha em um barraco de apenas um cômodo. “Eu vivi aqui há mais de 25 anos e agora perdi tudo. Só fiquei com a roupa do corpo e consegui salvar meus documentos. Não tenho para onde ir e estou dormindo no posto de gasolina”, disse.
De acordo com o tenente Alexandre Obvioslo, do Corpo de Bombeiros, a entrada dos moradores continua proibida. Segundo ele, ainda não há previsão de quando o local será liberado, pois as estruturas ainda oferecem riscos. “Como se trata de residências precárias, com bastante improvisação, vai ser necessária uma análise mais criteriosa da defesa civil”, declarou. O tenente estima que 70% da comunidade, que representa um pequeno conglomerado de toda a favela, tenham sido atingidos. Isso equivale a 50 barracos. As moradias são, na maioria, verticalizadas, com casas de até cinco andares. O Corpo de Bombeiros ainda trabalha na busca por desaparecidos.