A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou hoje convite para que quatro ministros brasileiros e o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, expliquem aos congressistas ações de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, em inglês) no Brasil. A comissão também aprovou moção de apoio para que o governo brasileiro conceda asilo ao ex-técnico da NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA) Edward Snowden.
O técnico revelou ao jornal britânico "The Guardian" o monitoramento de milhões de telefones e de dados de usuários de internet em todo o mundo. O delator norte-americano agora é procurado pela Justiça dos EUA e teve o seu passaporte revogado.
A audiência com os ministros foi marcada para quinta-feira. Foram convidados a falar aos senadores os ministros Antônio Patriota (Relações Exteriores), Celso Amorim (Defesa), Paulo Bernardo (Comunicações) e José Elito (Segurança Institucional), além de Shannon e do jornalista do "The Guardian", Glenn Greenwald --que teria tido acesso às informações sobre a espionagem no Brasil.
A comissão chegou a analisar a convocação aos ministros, e não o convite, o que os obrigaria a comparecer ao Senado. Diante do compromisso firmado por aliados da presidente Dilma Rousseff de que todos vão atender ao chamado dos senadores, o convite foi mantido.
"A situação é tão grave que todos vão vir, diante da gravidade das denúncias", disse o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). "Dou minha palavra de que eles estarão aqui o quanto antes. É de interesse da presidente Dilma Rousseff esclarecer essa questão por estar em desacordo com a violação feita pelo governo dos Estados Unidos", completou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).
Também foram convidados a falar à comissão os presidentes da Google e do Facebook no Brasil, Fábio Coelho e Alexandre Hohagen --já que há a suspeita de que e-mails e correspondências de brasileiros foram violadas pelo serviço de espionagem dos EUA.
A Comissão de Relações Exteriores ainda aprovou voto de censura aos Estados Unidos pelos atos de espionagem em diversos países, incluindo o Brasil.
Explicações
Os senadores querem explicações do governo brasileiro sobre o caso porque consideram uma "intromissão" dos Estados Unidos a espionagem em solo brasileiro. "Não é uma questão que divide governo ou oposição. O que está sendo colocado em debate é a soberania do Estado brasileiro", disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).