A Jornada Mundial da Juventude terminou no domingo, mas a peregrinação - característica fundamental do evento - persiste nesta segunda-feira nos aeroportos e na rodoviária do Rio de Janeiro. Muitos peregrinos já deixaram a cidade, mas ainda há filas enormes nos check-ins do Santos Dumont e do Galeão. Os fiéis reclamam do tratamento e tentam levar a situação com calma.
"A maior falta de respeito é das companhias aéreas. Você pega filas enormes, tem de passar em detectores de metais, respeitar as regras que limitam o peso das bagagens, mas aí quando eu chegar em Salvador, vão jogar as minhas malas na esteira de qualquer jeito. Isso se não passarem a mão nelas na esteira", afirma a administradora de empresas baiana Dilane Albuquerque Paiva, 28 anos, que teve sua bagagem extraviada na ida para o Rio e ainda não conseguiu recuperá-la.
As filas do check-in no aeroporto internacional do Galeão chegam a quase 1 quilômetro - começa no terminal 2 e termina no 1. Um voo para Buenos Aires foi cancelado e menos de 10% tiveram atrasos, segundo a Infraero. A empresa informou que 67 mil passageiros devem passar pelo Galeão e 32 mil pelo Santos Dumont, um movimento 50% acima do normal. Cerca de 1,5 mil pessoas dormiram no saguão do aeroporto internacional. "Ainda bem que a gente tem muito amor no coração. É isso que nos mantém tranquilos apesar das dificuldades", explicou Dilane.
Peregrinos uruguaios voltariam para casa no início da madrugada desta segunda-feira, mas o voo atrasou devido à névoa no aeroporto de Montevidéu. Tiveram de deixar o aeroporto e buscar hospedagem num hotel da cidade. Conseguiram no Windsor Copacabana, ao lado do palco onde o papa Francisco rezou a missa de encerramento da JMJ no domingo. Tiveram um pouquinho de conforto depois de uma semana hospedados em uma paróquia de Niterói.
"A peregrinação não terminou. Mas até que foi bom, deu para tomar um bom banho finalmente. Mas não vemos a hora de voltar para casa", diz a estudante Angelen Álvarez, que mora em Colonia do Sacramento.