Para combater o assédio sexual nas universidades americanas, estudantes ativistas montaram neste ano uma rede informal entre alunas de vários Estados para estimular as vítimas a cobrarem postura mais firme das instituições acadêmicas e levarem os casos à Justiça.
Ao menos sete universidades do país estão atualmente sendo investigadas pelo
Departamento de Educação por ignorar estupros que acontecem em suas dependências. Uma investigação aberta em junho na University of Southern California (USC) abrange mais de cem casos em que a instituição teria sido negligente em examinar os crimes ou punir os agressores.
Diversos grupos começaram a se organizar nos últimos meses com base em conversas de internet. A campanha "Know Your IX" -em referência à legislação em que se baseia- visa principalmente a violência entre estudantes, com relatos de estupros em festas, quando as vítimas estão embriagadas.
A ideia é provocar um efeito bola de neve para que, cada vez que um caso se torne público, outras vítimas se sintam encorajadas a sair do anonimato, disse à reportagem a ativista Annie Clark, que se graduou na Universidade da Carolina do Norte e já registrou queixa de abuso.
"Muitas pessoas que nos procuram dizem que nunca tiveram coragem de contar a violência que sofreram para ninguém. Quando conseguirmos abrir um espaço para que essas vítimas falem, isso vai ganhar força", diz.
O grupo concluiu que a informalidade das redes sociais e da internet fortalece a comunicação e amplia a audiência.
Ativistas argumentam que a maioria das instituições falham em educar seus alunos sobre o problema do assédio sexual no campus e em encorajar as vítimas a buscarem ajuda.
Quando um grupo de estudantes do Occidental College em Los Angeles resolveu recentemente registrar sua reclamação, insatisfeitas com o modo como a instituição tratou do assunto, buscaram informação legal entre alunas da Universidade da Carolina do Norte, que já tinham experiência no tema. Elas próprias tinham recebido apoio de estudantes de uma escola do Massachusetts, as quais receberam força em Yale.
O trabalho já rompeu as fronteiras americanas, de acordo com Clark.
"Fui procurada por pessoas da França, do Canadá, do México e de outros países. A tecnologia eleva muito a conexão", diz.