Em meio a reuniões, dispensa de funcionários, acusação de dano ao patrimônio público e até agressão contra jornalista, o acampamento montado por estudantes universitários na Câmara de Vereadores de Dourados completa um mês hoje (4). No local desde 4 de julho, o grupo denominado MPPL (Movimento Popular pelo Passe Livre) ainda não avançou em suas reivindicações e até acenou para a desocupação durante o final de semana, porém, continuam na Casa.
Na sexta-feira (2), alguns manifestantes se reuniram com o prefeito Murilo Zauith (PSB) e o presidente da Câmara, Idenor Machado (DEM), e tiveram a promessa, por parte do Executivo, da criação de um decreto que nomearia membros para acompanhar as decisões tomadas pelo poder público na melhoria do transporte público no município.
Apesar da conversa, o grupo negou se tratar de negociação e definiu o ato como esclarecimento sobre a comissão, que fiscalizará as propostas feitas pela administração em relação ao serviço.
Durante a semana, mesmo com o espaço ocupado, os legisladores realizaram a primeira sessão ordinária pós-recesso e um incidente foi registrado envolvendo o grupo acampado e o vereador Aguilera de Souza (PSDC). Enquanto agradecia o apoio recebido após a morte da filha de 11 anos, uma integrante do movimento o chamou de demagogo e pediu para que cuidasse da população.
O ato causou revolta dos assessores do vereador, que foram até onde estavam os estudantes tirar satisfação.
Na segunda, outra confusão, desta vez com a jornalista Thalyta Andrade, que foi impedida de trabalhar e teve a folha do bloco de anotações arrancado pela acadêmica de Ciências Sociais da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), identificada apenas como Caroline.
A repórter cobria uma reunião no local e teria entrevistado a jovem momentos antes. Um boletim de ocorrência foi registrado no 2º Distrito Policial contra a agressora, acusada de ameaça e perturbação do trabalho.
Na mesma delegacia, outra ocorrência foi feita contra os estudantes, desta vez, pela Câmara de Vereadores, apontando dano ao patrimônio público. A mesa do hall de entrada da Casa foi danificada e até o momento as investigações não apontaram o responsável. Alguns membros do MPPL foram ouvidos, porém, disseram não conhecer o causador do problema.
Diante das várias situações que se formaram durante o período, o prefeito segue defendendo o diálogo e não acena com o pedido de reintegração de posse da Casa. Já o presidente da Câmara alega que o fato se tornou insustentável, a ponto de precisar dispensar servidores do local por duas vezes – durante o recesso e na quinta-feira, quando o local amanheceu sem energia elétrica.