A vida difícil na zona rural do distrito de Lagoa Bonita, no município de Deodápolis, foi responsável por um drama familiar que durou por mais de vinte anos e só teve fim com a atuação da Defensoria Pública Criminal de Dourados, a 230 quilômetros de Campo Grande.
Após a separação dos pais, em 1991, a então adolescente J.C.C. veio para a cidade de Dourados em companhia da mãe, E.C.C., e de mais três irmãos, deixando para trás – juntamente com as dificuldades do campo – o pai, V.P.C., hoje com 66 anos de idade.
Na época dos acontecimentos, a situação de extrema pobreza em que viviam o pai, no sítio, e a mãe, na cidade com os filhos, fez com que J.C.C., aos treze anos de idade, deixasse a casa materna para morar em um abrigo; posteriormente, seguiu sua viagem sem volta rumo ao sudeste e sul do Brasil. A família, desde então, desconhecia seu paradeiro.
Após diversos desencontros, em julho deste ano o pai de J.C.C., já debilitado em razão da idade avançada e na companhia de uma nora, procurou pela Defensoria Pública Criminal de Dourados, na tentativa de reencontrar a filha que já não via há mais de duas décadas.
Com a notícia de que a jovem possui hoje dois filhos menores de idade e indícios de que estaria residindo no estado de Santa Catarina, a Defensoria Pública encaminhou ofício à Secretaria de Educação para que informasse se as crianças possuíam vínculo em escolas daquele Estado – cuja resposta, recebida já no início do mês de agosto, indicou uma cidade gaúcha como sendo o último registro de matrícula dos menores.
Na segunda-feira (5) a Defensoria Pública – via contato telefônico com a secretaria da escola – obteve o número de telefone de J.C.C., que foi repassado para a família, mas devido às dificuldades de comunicação no sítio onde ainda reside V.P.C., a ligação será feita amanhã (11) – Dia dos Pais –, quando após mais de duas décadas de separação, pai e filha retomarão contato pela primeira vez.
Fonte: Defensoria Pública de MS