Ouvido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, na manhã de hoje (12), o ex-diretor do Conselho Curador do Hospital do Câncer, Blener Zan, negou irregularidades durante sua gestão a frente do órgão e disse desconhecer possíveis atos ilícitos praticados na unidade.,“Desde o princípio, nunca desconfiei de nada. Nunca vi ato ilícito aos meus olhos para que não me permitisse continuar fazendo parte do Conselho", disse. Zan presidiu o Conselho Curador da unidade de saúde até o mês de março deste ano, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Sangue Frio, que desmantelou um suposto esquema de desmonte da rede pública de tratamento do câncer e direcionamento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) para o setor privado.
Ele também reafirmou que todas as “importantes decisões” da diretoria do Hospital do Câncer passaram pelo crivo do Conselho Curador. Ele disse desconhecer as recomendações do Ministério Público Estadual (MPE) que pediam a rescisão do contrato com a NeoRad – empresa de Adalberto Siufi – e a demissão de Betina Siufi, filha do oncologista. “Essas recomendações foram passadas para o departamento jurídico e foram respondidas. Várias recomendações do MP foram acatadas, algumas talvez não. O jurídico não me passou nenhum impedimento de que continuasse, por exemplo, a dona Betina lá”, defendeu-se, negando um possível contrato do HC com a empresa. “Se houve isso daí, foi sem o meu conhecimento. Eu não conhecia esse detalhe”.
Para o vereador Flávio César, que preside a CPI, o Conselho Curador não cumpria o papel de fiscalizar a diretoria do hospital. “A diretoria faz o que quer e bem entende, e o Conselho Curador faz vistas grossas. Pelo que a gente pode perceber, até o momento, o Conselho Curador era apenas para inglês ver. Um Conselho que tem a função de fiscalizar um hospital referência, que trata a maioria dos casos de câncer do Estado, se reúne apenas duas vezes por ano. Os diretores-presidentes ainda tinham uma ligação com o diretor-geral do Hospital, Adalberto Siufi”, afirmou.
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'Nunca vi ato ilícito', diz ex-presidente do Conselho do HC
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