A paixão pelo cultivo de orquídeas atravessa gerações. Em Campo Grande, o comerciante Antônio Bacha, 83 anos, cultiva orquídeas desde os anos 60, quando descobriu as plantas por acaso durante uma pescaria em Minas Gerais. O estudante Kalil Saffe Chacha, 15 anos, se encantou pelas plantas com apenas 10 anos de idade, em uma exposição em Sidrolândia. Hoje, com a ajuda da mãe, como Antônio, Kalil tem um orquidário em casa. Os dois colecionadores mostrarão seus exemplares de orquídeas na oitava edição da Exposição Nacional de Orquídeas de Campo Grande, a 5ª Exposição Estadual de Orquídeas e 5ª Exposição Nacional da Cattleya nobilior (considerada a maior do mundo). As mostras começam amanhã e seguem até domingo. O evento será no Armazém Cultural (Avenida Calógeras, 3.110) com entrada gratuita.
Mesmo no começo do cultivo e coleção, Kalil perde as contas dos prêmios que tem em casa. “Já ganhei bastante troféus, em Sidrolândia, Anápolis, em Goiás”, diz, recordando alguns lugares onde saiu premiado. Apaixonado por plantas, Kalil já pensou em ser biólogo. Hoje não tem mais certeza se seguirá a profissão, mas o orquidário tem certeza de que seguirá firme e forte. “O cultivo é uma coisa muito bela”, define. “É enorme a variedade de orquídeas que existem”. Kalil conheceu as plantas em uma exposição de Sidrolândia, e não demorou muito para comprar seus primeiros exemplares. Logo, reuniu tantas plantas em casa que foi preciso criar o orquidário. O jovem faz parte da Associação Campo-grandense de Orquidofilia e Ambientalismo (Acoa), que promove as exposições. “É muito bom, o pessoal é muito alegre e me deu várias dicas no começo”, comenta.
Experiência
Antônio Bacha considera o cultivo uma terapia. “É muito bom, é difícil de descrever, mas é como uma terapia”, afirma o comerciante de 83 anos. Com sua experiência, Antônio aprendeu a ser paciente com as plantas. “Pego sementes que vão demorar cinco anos para florescer”, revela. “Não sou mais criança”, pontua, mostrando que a ansiedade não atrapalha o cultivo.
Em pescaria no sul de Minas de Gerais, Antônio se interessou por uma orquídea que avistou na mata e a levou para casa. “Eu nem sabia o que era”, relata. Depois, foi questão de tempo para se tornar um colecionador. “Isso acaba virando algo que você gosta de fazer e não consegue mais parar”, confessa. Antes de conceder a entrevista, Antônio estava em seu orquidário, cuidando das suas plantas. “É meu hobbie”. Os interessados na Exposição de Orquídeas de Campo Grande poderão participar de oficinas para aprimorar o cultivo. Sexta-feira, às 14h, começa a oficina “Ciência do Cultivo de Orquídeas”, com o agrônomo Marcus Locatelli. Às 16h, começa o “Curso Básico de Orquídeas”, com o orquidófilo Marcos Campacci. No sábado, às16h, haverá a oficina sobre “Genética de Cruzamento de Orquídeas”, com Locatelli.