A história de Campo Grande se mistura com a do Jockey Club, que completou 69 anos no mês de junho. O Hipódromo Aguiar Pereira de Souza guarda lembranças de provas que dali não sairão, mas que tiveram início ainda no Parque de Exposições, com a doação de 10 hectares para a Sociedade Hípica Campo-Grandense. Lembranças estas que estão frescas na memória dos irmãos Paulo Vicente, de 74 anos, e Permínio Ferreira, de 66 anos. Personagens vivos da época de gala do turfe, conforme matéria especial de hoje (26) no jornal Correio do Estado.
Ao lado direito da Vila Hípica, na cocheira, estão os irmãos praticamente escondidos. A função é tratar e cuidar de cada um dos mais de 100 animais que ali estão. “Aqui tem muitos cavalos e só cavalo bom”, exalta Paulo, hoje aposentado. A família Vicente Ferreira permaneceu ligada ao Jockey. “Meu pai e meu avô foram treinadores. Estou desde os nove anos de idade”, recorda Paulo. A cada olhada para a cocheira, Paulo lembrava-se do auge na carreira como jóquei. “Eu corri até 1958. De 1964 em diante me tornei treinador”, conta. De fala mansa, ele detalha que o hipódromo de Campo Grande foi o terceiro maior renda do Brasil em arrecadação, perdendo apenas para Rio de Janeiro e São Paulo. “Até 1986 não parava, era todo domingo”.
O atual presidente do Jockey Club, Jamil Name, vai além. “Apenas São Paulo estava na nossa frente. Campo Grande ultrapassava o Rio de Janeiro em apostas e importância”, recorda.
O irmão de Paulo, Permínio, é tratador dos animais há exatos 53 anos. Ele calcula que cavalos de carreira, atualmente, o Jockey conta com cerca de 50. “Meu pai criou a gente perto de cavalos desde criança. Com 15 anos eu virei treinador, pegava as técnicas e trabalhava”, explica. A reportagem é de Gabriel Neris.