A Audi confirmou nesta terça-feira a retomada da produção no Brasil, na fábrica localizada em São José dos Pinhais (PR), onde atualmente fica a linha Volkswagen - ambas as marcas fazem parte do mesmo grupo. Com investimento de 150 milhões de euros, a fabricante alemã quer começar a montagem do A3 Sedan no segundo semestre de 2015 e do Q3 em 2016. Quando estiver em plena capacidade, 26 mil unidades serão feitas por ano.
O vice-presidente mundial de compras da Audi AG, Bernd Martens, afirmou em Brasília que a demanda local é maior por estes dois modelos e que a SUV de entrada deverá ter um motor flex 1.4 l, além do 2.0 l turbo que equipa o modelo atualmente. O propulsor bicombustível também poderá equipar os primeiros A3 que saírem da linha de montagem paranaense, que terá um acréscimo direto de 300 postos de trabalho.
Embora a Audi não admita, a escolha da versão sedã do A3, que começa a ser vendido na Europa neste mês, talvez tenha sido motivada pela fabricação nacional do Volkswagen Golf na mesma planta - para evitar uma "concorrência entre irmãos". Para Martens, a justificavativa é de que o modelo sedã teria maior apelo no mercado nacional, onde não encontra nenhum concorrente. Isto por enquanto, já que a Mercedes-Benz trará seu sedã de entrada CLA, derivado do Classe A, no próximo ano.
Depois de se encontrar com a presidente Dilma Roussef, o presidente mundial da Audi, Rupert Stadler, citou a Copa do Mundo e a Olimpíada como motivos que pesaram pela escolha da produção brasileira. "Nos próximos anos, milhares de brasileiros ascenderão à classe média. Ao mesmo tempo, o desejo de adquirir produtos premium aumentará", afirmou.
Em 2014, será a primeira vez na história que a empresa produzirá mais fora do que na própria Alemanha. Parte disso será impulsionado por uma nova fábrica no México, que poderá exportar o Q5 para o Brasil em 2016, e linhas de montagem na China, Índia e Rússia - o que mostra que a marca está investindo no famoso grupo de países emergentes Bric.
De acordo com a Audi, o A3 Sedan terá entre 30% e 35% de conteúdo nacional. A meta de ser líder no segmento premium, em uma briga acirrada com as rivais BMW e Mercedes-Benz, precisará de mais concessionárias no País para ser atingida. Assim, a montadora pretende dobrar de 30 para 60 o número de representantes até 2020.
Mesmo “atrasada” em relação à rival BMW, que anunciou no final do ano passado seus planos de produção no Brasil, a associação com a VW dá vantagem à Audi: o tempo necessário para começar a montagem de carros no Brasil é reduzido porque seria apenas uma expansão da planta paranaense, e não a construção a partir do zero como a BMW. A Mercedes-Benz também avalia retomar a produção de automóveis no País e deve chegar a uma decisão em breve.
Segundo informações do governo paranaense, na próxima semana, a Volkswagen anunciará R$ 700 milhões para a produção do novo Golf na planta de São José dos Pinhais. O mesmo local já produziu o modelo antigo do A3, entre 2000 e 2006. A fabricação da marca de luxo foi encerrada, mas a planta ainda mantém logotipos e instrumentos com símbolos das quatro argolas, como verificado em uma visita do Terra no primeiro semestre deste ano. A Audi não terá que construir nem mesmo um novo prédio. Ou seja, a adaptação no local não será difícil.