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Enade tem 30% dos cursos do ensino superior abaixo da média

Enade tem 30% dos cursos do ensino superior abaixo da média

Redação

07/10/2013 - 15h02
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Um índice de 30% dos cursos das instituições de ensino superior que participaram do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) em 2012 ficaram abaixo da média considerada aceitável no Conceito Enade, segundo divulgou o Ministério da Educação (MEC), nesta segunda-feira (7), em Brasília. (Veja as notas por curso)

Esse índice monitora a qualidade dos cursos de graduação e divide as instituições (universidades, faculdades e centros universitários) por totais contínuos que vão de 0 a 5 pontos, com divisão por casas decimais, e em faixas que vão de 1 a 5. Avaliações abaixo de três são consideradas insatisfatórias pelo MEC. Elas tiraram conceito 1 ou 2 como resultado final do Exame. Para estarem em um nível aceitável de prestação de serviços de educação, é preciso tirar de 3 a 5, a nota máxima.

O conceito Enade é o principal indicador do Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC) que, segundo o MEC, será divulgado no final deste mês.

Entretanto, mesmo com o resultado, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, considera que o ensino no país está evoluindo se comparados aos resultados do Enade de 2009, quando foi feita a avaliação dos mesmos cursos avaliados em 2012.

Ao todo, participaram do Enade de 2012 um total de 7.228 cursos, pertencentes a 1.646 instituições de Educação Superior brasileiras. Os universitários fizeram a prova no dia 25 de novembro do ano passado para avaliar os cursos de bacharelado em administração, ciências contábeis, ciências econômicas, comunicação so cial, design, direito, psicologia, relações internacionais, secretariado executivo e turismo, além dos cursos superiores tecnologia em gestão comercial, gestão de recursos humanos, gestão financeira, logística, marketing e processos gerenciais.

A prova teve 20,1% de abstenção em todo o país. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o exame teve a participação de 469.478 de estudantes concluintes de cursos superiores de graduação ou tecnológicos. Ao todo, 587.351 estudantes estavam habilitados e inscritos.

Para combater o boicote dos estudantes, a partir da edição do ano que vem, será necessário que todos eles permaneçam em sala por pelo menos uma hora após o início da prova. Somente a assinatura da presença não valerá mais como participação válida, anunciou o MEC nesta segunda.

Mercadante afirmou que o boicote está diminuindo e criticou alunos que apenas assinam a prova. "O boicote propriamente nós quase não temos. Antes nós tínhamos em torno de 20% dos estudantes das instituições aqui no caso não participavam do Enade. Hoje é muito residual essa situação, mas temos ainda alguns estudantes, porque se não fizerem o Enade não podem se formar, que simplesmente assinam a prova e prejudicam todos os outros que estão se esforçando para garantir uma boa nota para a sua instituição. Então, quem entrou e assinou, perdeu. Não vai se formar".

Edição anterior
Na edição do Enade do ano passado, 5,4% de todos os cursos participantes tiraram nota 5 e 19% tiraram nota 4. A maior parte, equivalente a 43,9%, tirou nota 3. Abaixo da média, ficaram 27,3% com nota 2 e 2,7% com 1.

Na comparação dos resultados de 2012 com 2009, o número de cursos que ficaram abaixo da média aceitável aumentou. Ao todo, passaram de 24,2% para 30%. Há quatro anos atrás, 0,7% dos cursos tiraram nota 1 e 24,2% tiraram nota 2. Já a quantidade que tirou notas 3, 4 e 5 aumentou, porque passaram de 48,5% em 2009 para 68,3% em 2012.

Para o governo, o panorama geral é positivo, com uma evolução no Ensino Superior brasileiro. "Cresceu proporcionalmente mais 3, 4 e 5 do que o 1 e 2. É positivo, porque cresceu fundamentalmente 3, 4 e 5. [...] Houve um crescimento em direção à qualidade", disse Mercadante.

A porcentagem de cursos sem conceito foi a que teve maior queda. Diminuiu de 26,6% para 1,8%. Para o ministro, isso se deve à maior adesão dos alunos ao exame. "Nós tivemos um avanço muito importante na participação efetiva dos estudantes no Enade e com isso nós diminuímos substancialmente o que era sem conceito", ponderou o ministro.

Públicas e privadas
Em relação aos cursos de instituições públicas, houve também uma melhora nas notas acima da média. Em 2012, um total de 33,7% tiraram nota 3, 29,8% tiraram nota 4 e 17% tiraram nota 5 contra 32,8%, 24,5% e 17% em 2009, respectivamente. Além disso, 3,6% dos cursos públicos tiraram nota 1 e 14,4% tiraram nota 2 no ano passado. Em 2009, esse percentual havia sido de 0,9% e 13,8%.

Nas instituições privadas, todos os percentuais aumentaram, já que houve uma queda nos cursos sem conceito, que passaram de 27,1% para 1,8%. Os que tiraram nota 1 foram de 0,7% para 2,5%. Os que tiveram 2, de 26,1% para 29,3%. Contemplados com a nota 3 passaram de 38,6% para 45,6% e, com nota 4, de 7,1% para 17,3%. Já com a nota máxima, o índice aumentou de 0,4% para 3,5%.

Segundo o MEC, as notas individuais de cada instituição que participou do Enade 2012 estarão disponíveis no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) a partir das 17h desta segunda.

O resultado final do Conceito Enade 2012 foi recebido pelas instituições de ensino superior a partir do dia 23 de setembro. O Enade é uma prova aplicada pelo governo federal para verificar o aprendizado de estudantes de graduação, ingressantes e formandos de acordo com o conteúdo programático de cada curso. Ainda, ele avalia a qualidade dos cursos e das instituições, sendo obrigatório para quem for selecionado e indispensável para a emissão do histórico escolar. A nota individual do aluno não é divulgada, mas apenas a geral do curso. Cada curso é avaliado a cada três anos. O Enade foi realizado pela primeira vez em 2004.

*Editada às 16h38min para acréscimo de informações

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