A ex-secretária de Saúde do Estado, Beatriz Dobashi, explicou, ontem, as gravações feitas pela Polícia Federal durante as investigações da Operação Sangue Frio, em depoimento na Câmara Municipal sobre a CPI da Saúde. Segundo ela, a interceptação de uma conversa telefônica entre ela e o ex-diretor do Hospital Regional, Ronaldo Queiroz, estava fora de contexto. A reportagem foi publicada na edição desta terça-feira (08) do jornal Correio do Estado.
Beatriz Dobashi pediu demissão em julho deste ano, depois de passar 6 anos a frente da secretaria. “O depoimento dela foi muito importante pelo tempo em que permaneceu na Saúde. A ex-secretária pode contextualizar e explicar algumas coisas que ainda estavam pendentes”, disse o presidente da CPI, vereador Flávio César (PTdoB).
Conforme a reportagem, Beatriz afirmou que as escutas divulgadas foram “um momento constrangedor”, que motivaram a sua saída da gestão pública. “Talvez eu tenha me manifestado de forma errada. Nada do que conversei com o Ronaldo (Queiroz, ex-diretor do Hospital Regional) influenciou o plano de extensão da radioterapia do Ministério da Saúde”, disse. Ela alega que o Regional não recebeu o aparelho, porque na época havia um clamor da população para que o hospital passasse por obras, principalmente no Pronto-Socorro. “A conversa foi um equívoco. Não quis dizer que a vinda do aparelho deveria ser adiada, mas sim que tínhamos outras prioridades, já que o Hospital Universitário atendia a demanda de pacientes que precisavam da radioterapia”, explicou Beatriz.
Para ela, os investimentos feitos em outros setores públicos não foram menos importantes que a vinda do aparelho de radioterapia. “Não existe desnível de importância para os locais para onde o dinheiro foi destinado. Eles não são menos importantes e também foram aplicados para o tratamento da população”, disse.
Quanto à outra escuta telefônica divulgada durante as investigações, Beatriz disse que a conversa foi interpretada de forma errada. “Quando o Siufi me ligou, questionando a vinda do aparelho de radiologia para o Hospital o Câncer, nós já havíamos falado sobre um possível pedido à Brasília. A ligação gravada mostrou apenas uma interrogação feita anteriormente, além de uma conversa informal”, conta.
Questionada sobre o conhecimento de irregularidades no Hospital do Câncer, Beatriz informou que nunca recebeu denúncias. “A secretaria tem uma equipe que realiza vistorias e auditorias, além da Vigilância Sanitária que fiscaliza os hospitais, mas a gestão não tem competência de fazer uma investigação. Nós temos acesso apenas a prontuários e a verificação do cumprimento de regras”, afirmou.
Com o fim dos depoimentos, os vereadores agora terão acesso às escutas da Polícia Federal para finalizar o relatório. “São mais de oito mil páginas de documentos e, se precisarmos, chamaremos outras pessoas para prestarem esclarecimentos”, disse Flávio César. A matéria é de Beatriz Longhini.