Fazer as malas e migrar para o mundo virtual talvez seja a mudança acertada para quem pretende transformar o empreendedorismo em carreira. Na mala, basta colocar algumas dezenas de reais, mas não se esquecer de reservar muito espaço para a coragem. Essa “bagagem” – pouco dinheiro e muita coragem – tem a medida do conceito de startup. Trata-se, grosso modo, de um tipo de empresa virtual com custos iniciais baixos e que pode crescer rapidamente, proporcionando lucros expressivos. “O crescimento é exponencial”, define Flávio Estevam, vice-presidente da Associação Sul-Matogrossense de Startups (StartupMS). A reportagem está na edição desde domingo do jornal Correio do Estado.
O nascimento de uma startup não resulta de gestação burocrática como o de uma empresa convencional. “Não é preciso um plano de negócios”, exemplifica Estevam. A startup pode nascer em alguns dias – gestação rápida, mas de alto risco. “A pessoa não pode ter medo de incertezas”, avisa. E o êxito não se relaciona, necessariamente, ao tamanho do investimento.
Como o universo virtual desconhece fronteiras, o crescimento de uma empresa, iniciada a partir de poucos reais, pode ser acelerado. Por outro lado, o negócio pode não cair no gosto dos internautas e morrer na mesma velocidade com que nasceu. “Pode-se ganhar muito dinheiro ou não ganhar nada”, resume.
O próprio Estevam abriu e fechou mais de 20 negócios na internet. “Tentei mais de 20 vezes até acertar”, conta. O referido acerto é o “Namoro Fake”, plataforma responsável pela contratação de relacionamentos fake (falso), que são exibidos no perfil do facebook.
Estevam precisou de cinco dias e de R$ 30 para dar à luz a empresa, que chamou atenção por ser polêmica e criativa (mais criativa que polêmica). Milhares de olhares se voltaram para o Namoro Fake já nos primeiros dias. Em menos de semana, a plataforma virou notícia na grande imprensa nacional e em jornais do exterior. Em seguida, segundo Estevam, o acesso alcançou, em um dia, 120 mil acessos.
O empresário não informa em quantas vezes multiplicou os R$ 30, mas assegura que investimentos baixos podem ser transformados em lucros acentuados. Como exemplo, ele cita outra startup de Campo Grande, que começou com R$ 50 e tem, hoje, faturamento de R$ 50 milhões. A reportagem é de Osvaldo Júnior.