A participação das estatais chinesas CNPC e Cnooc no consórcio que venceu a licitação para explorar o Campo de Libra, a maior reserva petrolífera brasileira, representa uma grande abertura para que outras empresas daquele país invistam no Brasil, disse o vice-presidente Michel Temer, que está viagem marcada para a China. Algumas empresas estatais e privadas chinesas reclamam da burocracia para investir no Brasil e comparam as dificuldades às oportunidades existentes em outros países.
“O simples fato de duas empresas chinesas terem entrado no campo de petróleo significa uma abertura muito grande para que outras empresas venham. Penso que a preocupação seja um pouco pela burocratização interna do nosso sistema, mas a desburocratização vem se acentuando cada vez mais, sempre em busca do investimento estrangeiro", destacou o vice-presidente entrevista à Agência Brasil. "Tenho a impressão de que essas preocupações logo serão superadas”, disse ele.
O vice-presidente, a quem a presidenta Dilma Rousseff atribuiu o papel de embaixador para tratar de questões comerciais com outros países, levará em sua comitiva os ministros da Agricultura, Antônio Andrade, da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, e da Aviação Civil, Moreira Franco. Temer lembrou que o governo fez um convite público às empresas chinesas para que participassem do leilão do Campo de Libra, o qual considera um “sucesso”, e disse que há interesse em uma participação ainda maior.
“Temos projetos de infraestrutura extraordinários. Basta dizer que vamos ter 7.500 quilômetros de rodovias que queremos duplicar, ferrovias, especialmente na questão do trem-bala, e sabemos que a China é um dos principais países onde se desenvolveu a tecnologia dos trens de alta velocidade, e temos aeroportos, que vamos conceder à iniciativa privada”, informou. A China tem a mais longa linha férrea de trens de alta velocidade do mundo, com 2.298 quilômetros entre Pequim e Cantão, consolidando o país como líder mundial no uso dessa tecnologia.