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Polêmica do Instituto Royal faz aumentar venda de cães beagles

Polêmica do Instituto Royal faz aumentar venda de cães beagles

Redação

29/10/2013 - 14h45
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Nas últimas duas semanas, você deve ter ouvido falar muito sobre os cães da raça beagle. Depois de vários dias de protestos, 178 deles usados para experimentos científicos foram resgatados do Instituto Royal, em São Roque, por ativistas. A ação virou notícia no mundo e gerou até violência. Mas despertou também paixão pelo animalzinho. E também lucro entre os criadores.

Alex Souza, que vende beagles em Araraquara, teve um aumento de mais de 600% nas vendas. Normalmente, ele costuma vender cinco cães da raça por mês. Mas, nas últimas duas semanas, foram vendidos 26 e a lista de espera tem 12 candidatos a donos.

“Teve gente que pagou adiantado para garantir que iria conseguir o cachorro. Só não vendi mais porque não há mais filhotes”, afirma.

Xodó

Com o preço variando de R$ 1,2 mil a R$ 1,5 mil, até quem iria comprar cães de outras raças mudou de ideia pelo beagle. “Recebo ligações toda hora de gente perguntando se tenho filhote, querendo saber do preço e das características do animal”, afirma.

Alex cria cães há dez anos e também trabalha com outras raças, como pug, shitsu, buldogue francês e inglês. “Mas a maioria das pessoas agora quer beagle e está até difícil de achar”, afirma.

E tem mais gente com pedidos. O criador e treinador de cães Carlos Corrêa, 44, tem mais de 20 pessoas na lista de espera.

Raça vira moda

Carlos está no negócio há 25 anos e começou a criar beagles há cinco. Antes, era só pastor alemão e rottweiler. “Trabalho mais com cães policiais e de guarda, mas minhas duas filhas sempre quiseram cães menores, aí acabei criando beagle também e adorei porque é uma raça que tem bastante afinidade.”

Hoje, Carlos tem 16 beagles, sendo 15 fêmeas e um macho. “Muita gente veio conversar comigo para falar sobre o Instituto Royal. Acredito que escolhem essa raça para pesquisa porque dificilmente ficam doentes”, explica.

Quando alguma raça começa a sair muito na mídia, é comum que a venda cresça também. Foi assim com o filme “Marley e eu” com o labrador. “Todo mundo queria comprar um cachorro igual o Marley do filme, virou febre”, explica Carlos. 

Não adianta levar o animal para casa e depois não cuidar direito

"Quando ocorre um boom de alguma raça, também existe um lado negativo. Na época que uma mulher matou seu yorkshire em São Paulo, eu recebia ligações assim: ‘Você tem cachorro para vender daquela raça que a mulher matou?’ É um absurdo as pessoas quererem um cão só porque ele está na mídia. Nesses casos, muita gente acaba abandonando e até maltratando depois que o animal cresce. Eu me preocupo muito com a criação do cachorro, gosto de acompanhar os cães que vendo, não é só dinheiro. Tanto que aceito devolução, acho melhor do que a pessoa abandonar ou não cuidar direito. Isso tudo também faz aumentar os criadores inescrupulosos. Existe gente que vende sem estar vacinado ainda, entrega antes do prazo correto, não cuida direito. Acontece muito, sempre que tem alguma raça em destaque na mídia. Na Páscoa, é a mesma coisa. O pessoal compra coelhos para dar de presente para os filhos e depois deixa trancado em uma gaiola o resto da vida porque não quer mais ter trabalho. " - Venâncio da Cunha, criador de cães em Araraquara há 20 anos

São animais hiperativos e dóceis

Os cães da raça beagle são muito ativos, agitados e precisam de espaço para brincar. “Eles são arteiros, gostam de destruir as coisas e precisam de muito carinho. Eles querem brincar toda hora e não param quietos. Tanto que eles são caçadores, costumavam perseguir coelhos e raposas. Por isso adoram crianças que têm energia de sobra”, explica o veterinário de Araraquara Alessandro Galhardo, da clínica “É o bicho”. Ele acredita que o Instituto Royal escolheu os beagles para fazer testes porque os cães costumam ter o mesmo peso quando ficam adultos.

“Isso oferece uma padronização para as pesquisas. Além disso, apesar de hiperativos, são muito dóceis, então é mais fácil de lidar”, diz. Para quem mora em apartamento e sonha em ter um beagle, é preciso ficar atento. “Eles necessitam de espaço para correr. É preciso passear com eles todos os dias. Em apartamento, é complicado. Se ficarem muito sozinhos, podem destruir os móveis e ainda ficam doentes”, explica o veterinário.

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