O clima na região de Japorã está tenso desde sexta-feira passada, quando 18 terras foram invadidas por indígenas. Com o risco iminente de conflito, a Justiça Federal de Naviraí determinou o reforço e policiamento 24 horas da da Polícia Federal na Fazenda São Jorge, onde um grupo de 30 índios ocupou, expulsando os ocupantes, inclusive, agredindo duas crianças e ateando fogo na sede.
A Justiça também determinou a intimação da Fundação Nacional do Índio (Funai) para apurar se as ocupações de terras em Mato Grosso do Sul estão ocorrendo com a colaboração ou omissão do órgão. Índios da Fazenda São Jorge também serão ouvidos.
No local, mais de 370 hectares da fazenda estão sendo ocupados gradativamente desde o último dia 14 por índios guaranis que reivindicam a ampliação da aldeia Porto Lindo Yvi Katu. De lá para cá, de 30 o número de indígenas passou para 320, segundo funcionários da fazenda. Há denúncias de que indígenas vindos do Paraguai estariam reforçando o movimento.
Funcionários da Fazenda se dizem surpresos com a estrutura da invasão que para eles demonstra ser planejada. Um trabalhador da fazenda teria sido mantido refém pelo grupo que estaria dentro e na estrada de acesso à fazenda. A medida da Justiça em reforçar e manter policiamento 24 horas no local atende a um pedido do advogado Felipe Risseti, que representa o proprietário da Fazenda.
Ele disse que a situação está ficando insustentável e o clima é tenso, o que motivou a ingressar com a ação para garantir o direito de ir e vir do fazendeiro que estava impedido de entrar e sair da propriedade. Como num primeiro pedido de reforço a Polícia Federal informou que não havia efetivo, a Justiça entendeu a necessidade de determinar um reforço para que os agentes permaneçam no local.
Outra decisão da Justiça determina que a Polícia Federal exerça o papel de prender indígenas que forem flagrados cometendo qualquer dano à fazenda. Segundo ele, em anos anteriores houve um prejuízo de 300 cabeças de gado que desapareceram da fazenda. “Trata-se de um processo transitado em julgado em que a união terá que ressarcir os prejuízos”, destaca, observando que atualmente estão no local 1,5 mil bovinos. Ao todo a defesa já registrou mais de 20 boletins de ocorrência contra a comunidade indígena que teria trancado o acesso à fazenda.
As informações são do Dourados Agora.