Uma equipe técnica do Ministério da Saúde em Campo Grande está investigando a aplicação de R$ 9,8 milhões (liberados em 2008) em um sistema que deveria monitorar as consultas e agendamentos em Campo Grande e seus trabalhos terminam hoje, mas uma constatação, que é elementar para o conteúdo do relatório que será produzido nas próximas semanas, já foi feita: a de que o sistema não funciona. Tal afirmação é do grupo de técnicos, e foi relatada ao deputado estadual Amarildo Cruz (PT), que preside a Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa que investiga a aplicação dos recursos destinados ao sistema de saúde em todo o Estado, em reunião na manhã de ontem. “Eles só vieram para cá investigar por causa da comprovação de que o sistema não funciona, o que eles foram checar in loco”, afirmou Amarildo Cruz.
Foi durante um depoimento nesta mesma comissão, em agosto último, que a investigação começou. Na ocasião, o empresário, presidente do Consórcio Telemídia, contratado em 2008 para implantar o sistema, afirmou que o Gisa não funcionava porque a atual administração, de Alcides Bernal (PP), não concluiu a implantação do sistema. Na sequência, a prefeitura rebateu a afirmação, alegando que a rede de internet disponível para os órgãos municipais nem sequer suportava o programa, e que o mesmo poderia apresentar problemas, que não poderiam ser resolvidos por falta dos códigos-fonte (linguagem de programação usada para criar o sistema).
Aliás, o código-fonte é o ponto polêmico da investigação. A verba liberada pelo Ministério da Saúde, em 2008, foi justamente para que o sistema fosse desenvolvido, e que um código-fonte ficasse sob propriedade do poder público. A empresa portuguesa Alert, que detém o código-fonte do sistema da Capital, no entanto, foi contratada somente três anos depois da assinatura do contrato entre a prefeitura de Campo Grande e o Telemídia. O convênio milionário (R$ 8,2 milhões da União, mais a contrapartida do município de R$ 1,6 milhão) foi assinado pelo então secretário municipal de saúde Luiz Henrique Mandetta, durante a administração de Nelson Trad Filho (PMDB). À CPI, no mês passado, Mandetta, hoje deputado federal pelo DEM, disse que viu a empresa em um stand no Pavilhão Anhembi, em São Paulo (SP), e se interessou na ocasião pelo sistema (já desenvolvido, ao contrário do que queria o ministério).