29.650. Esse é o número de motociclistas e motoristas feridos em acidentes de trânsito em Mato Grosso do Sul durante apenas dois anos. As estatísticas confirmam ainda 228 mortos, dados que crescem a cada ano, com a facilidade de acesso aos veículos. Comparar os números com habitantes de cidades do interior não é difícil, se levarmos em conta que dos 79 municípios do Estado, muitos deles somam em torno de 20 mil moradores, segundo reportagem na edição de hoje (24) do jornal Correio do Estado.
De acordo com o Censo de 2010, os feridos ultrapassam os habitantes de Ribas do Rio Pardo, por exemplo, que contabilizava 20.946 pessoas a três anos. Acidentados também poderiam ocupar quase uma Rio Brilhante, com 30.663 habitantes. As contas podem ser as mais diversas: uma Bataguassu e uma Batayporã repleta de vítimas do trânsito ou até mesmo Itaporã e Glória de Dourados juntas como uma grande enfermaria.
Os números somente de Campo Grande assustam ainda mais. Levantamento feito pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran/MS) a pedido do Correio do Estado, revela que em 12 anos, 38.367 pessoas tiveram que parar trabalhos, estudos e até mesmo suas vidas, para ocupar uma cama de hospital e se recuperar de um acidente de moto.
Os motociclistas são as principais vítimas do trânsito da Capital. De 2002 a 2013 (até setembro), morreram 366 pessoas, contra 60 condutores de carro. Trajetórias que viraram estatísticas e exemplos da falta de valores e preocupação com a vida do outro.
Sentindo na pele, literalmente, as dores causadas pela imprudência no trânsito, Cleber Augusto da Silva Ferreira, de 33 anos, está na enfermaria da Santa Casa desde o dia 5. “Estava trafegando pela Avenida Três Barras, quando de repente uma mulher sai da fila de carros no momento em que eu estava passando. Não teve nem como evitar a colisão”, conta. A reportagem é de Beatriz Longhini