“Até hoje, está sendo difícil para nós”. Assim resume Samir Mamedes Gabriel, 36 anos, o sentimento de uma família inteira da Aldeia Córrego do Meio, em Sidrolândia. Ela é a viúva do funcionário público Oziel Gabriel, 35 anos, morto no dia 30 de maio durante a reintegração de posse da Fazenda Buriti. De acordo matéria publicada hoje (1º) no jornal Correio do Estado, seis meses após a morte de Oziel, a família reclama da morosidade da Polícia Federal para concluir o inquérito sobre a morte ocorrida naquele dia. A morte de Oziel, hoje, é considerada pelos próprios índios como um marco na luta pela terra terena, em Mato Grosso do Sul.
Samir, assim como Oziel, é terena da Aldeia Córrego do Meio. Lá, eles cresceram, conheceram-se e se casaram. Até o dia em que ele morreu, foram quase 19 anos de casamento. Da união, nasceram dois filhos, uma de 18 anos, e o outro, com 15. Seis meses depois da morte do marido, Samir diz que ainda não se acostumou com o fato de que é viúva e diz que, hoje, luta para que os filhos possam continuar estudando. E é por isso que ela espera receber uma indenização pela morte de Oziel. “Meu filho mais velho termina o 3º ano agora. Eu queria que ele continuasse estudando, mas ele já fala em ir trabalhar para ajudar em casa”, lamenta.
Depois da morte de Oziel, Samir deixou o emprego de 11 anos em um frigorífico do município, em razão de depressão. E, agora, luta contra a saudade. “Ele era uma pessoa muito presente, a gente tinha uma convivência muito boa. Era um excelente marido e um pai presente. O Oziel conviveu mais com meus filhos do que eu, porque quando eles eram pequenos eu fui trabalhar e quem ficava cuidando deles era meu marido”, diz Samir, enquanto enxuga as lágrimas. A reportagem é de Patrícia Belarmino.