Os deputados estaduais Zé Teixeira (DEM) e Mara Caseiro (PTdoB), respectivamente vice e presidente da Comissão de Desenvolvimento Agrário e Assuntos Indígenas da Assembleia Legislativa, criticaram uma questão da Fuvest – que seleciona candidatos para a Universidade Federal de São Paulo (USP) – que abordou, este ano, o assassinato de indígenas em Mato Grosso do Sul.
Conforme os parlamentares, a questão apresentou tabela errada, baseada em dados retirados do site do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), acessada em 10 de setembro de 2013. De acordo com a questão, No Brasil, entre 2003 e 2012, ocorreram 554 assassinatos de indígenas, sendo 310 em no Estado.
Após analisar a tabela, os candidatos tinham que escolher a afirmação correta entre cinco oferecidas. A resposta certa foi a que diz que “no período abrangido pela tabela, a participação de Mato Grosso do Sul no total de indígenas assassinados é muito alta, em consequência, principalmente, de disputas envolvendo a posse de terra”.
Para Zé Teixeira, a questão denigre Mato Grosso do Sul e a tabela está totalmente equivocada, já que os números são outros, segundo dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública). Por conta disso, o deputado é totalmente favorável à elaboração de uma moção de repúdio à USP em decorrência da questão.
Desmentido a tabela, Teixeira citou que em 2006, por exemplo, de acordo com a Sejusp, foram assassinados 7 índios no Estado, enquanto a tabela da USP informa que foram 28. Já em 2011, a tabela acessada pela comissão organizadora do certame, com base em dados do Cimi, aponta 32 mortes de indígenas, enquanto a Sejusp afirma que foram 27.
“Essa mentira cria na cabeça do vestibulando aquela ideia de que Mato Grosso do Sul é um Estado selvagem”, reclamou.
Anulação
Mara Caseiro frisou que essa exposição é absurda, justamente por conta dos números incorretos. “É necessário que essa questão seja anulada, pois é mentirosa, capciosa”, protestou.
Para a parlamentar, os assassinatos envolvendo índios em Mato Grosso do Sul são decorrentes da ineficiência da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da omissão da União, “que permitem a entrada de álcool nas aldeias”. Mara ressalta que a maioria dos assassinatos ocorre entre os próprios índios e que os conflitos fundiários envolvendo eles e os produtores mostram o quanto o Governo Federal foi omisso ao permitir o isolamento dos indígenas, impedindo seu desenvolvimento e evolução.
“O Cimi prestou um grande desserviço à população por conta dessa tabela equivocada. Ao invés de permitir sua evolução, o Cimi usa os índios como massa de manobra. Temos que exigir que a questão seja anulada para que todos saibam que isso é uma farsa, assim como os laudos da Funai”, concluiu.