Há uma década morando no bairro projetado para receber deficientes físicos em Campo Grande, Luiz Alberto Aquino, de 46 anos, não viu muita coisa mudar com o passar dos anos.
As casas adaptadas da Vila Romana na região urbana do Imbirussu atendem às necessidades dos moradores, porém, as vias foram esquecidas e continuam sem asfalto.
Buracos, cascalhos, lixo e muita dificuldade. Esses são os problemas enfrentados pelos cinco cadeirantes que permaneceram no bairro por necessidade ou falta de opção. “Eu sou o único que ficou na casa entregue pelo governo, há 10 anos. Todos os outros venderam as residências e encontraram locais com mais facilidade para se locomover. Quem ainda mora aqui precisa enfrentar as dificuldades”, conta Aquino.
De acordo com ele, foram construídas 10 casas adaptadas, com portas mais largas e banheiros próprios para quem usa cadeira de rodas, mas a falta de asfalto e até mesmo de cascalho nas ruas acabou com o sonho de uma vida mais fácil.
“Somos lembrados apenas em época de campanha. Os políticos vêm aqui prometendo mundos e fundos. Um ano depois, veja só como estamos: na mesma situação”, disse. Aquino, que não tem condições de sair de casa sozinho, conta com a ajuda de Rose Mary Benites Aquino, 40. “Também estou aqui desde a entrega das casas e, pelo que me lembro, apenas uma vez vieram com a patrola e os cascalhos e fizeram um trabalho bem feito, depois nunca mais. Quando chove fica pior ainda, não tem quem saia de casa”, aponta.
A situação de Florinda Centurião da Silva, 66, é mais complicada. Com um filho de 37 anos, na cama há 14, resultado de um acidente de motocicleta, a mãe precisa de muita força para fazer o que Vitor Centurião Torres mais gosta: ir para a rua. “Ultimamente não estou em condições de levá-lo nem à igreja. O trajeto é muito difícil e minhas pernas quase não aguentam mais por conta das varizes. Nem na casa da minha filha, que fica no outro quarteirão, consigo ir e ele adora passear. Chega a entrar em depressão quando fica muito tempo dentro de casa”, conta.
Para ela, que fez adaptações por conta própria na casa, faltam ações da prefeitura. “Parece que esqueceram da gente aqui”, desabafa. “Os moradores se viram como dá. Jogamos pedras, restos de material de construção e qualquer coisa que ajude a tapar os buracos para melhorar o tráfego”, disse Rose Mary.
Segundo a prefeitura, o serviço de patrolagem na Vila Romana, que tem apenas oito ruas, será inserido na programação da Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação (Seintrha), mas ainda não há uma data específica para a realização dos trabalhos.
Ontem, a gestão municipal divulgou que oito bairros receberão o serviço de cascalhamento, são eles: Cristo Redentor/Polo Industrial saída para Cuiabá, Jardim Noroeste, Jardim Panamá, Região de Três Barras, Indubrasil, Jardim Uirapuru e Jardim das Nações.