Depois de quatro anos morando em barracos, à beira da BR-163, três integrantes mortos por atropelamentos de carros, as 171 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) foram autorizadas a entrar na fazenda Nazaré, em Sidrolândia, comprada em julho passado por R$ 16,4 milhões pela superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A porteira da área de 2,4 mil hectares será aberta amanhã, às 9h, em solenidade da qual participam líderes dos sem-terra e autoridades políticas.
Por enquanto, a vida dos acampados pouco muda: eles devem permanecer morando em casebres erguidos com pedaços de pau e cobertos por lona e aguardando os recursos para a construção de casas, instalação de energia, abastecimento de água e abertura de estrada. A promessa do Incra é que o dinheiro seja liberado a partir de janeiro.
O Incra não assenta uma família sequer em MS desde agosto de 2010 por influência de uma liminar da Justiça Federal, no contexto da Operação Tellus da Polícia Federal, em que servidores do Incra e empresários negociavam lotes. Por causa deste escândalo, os projetos de assentamento foram deixados de lado.