A Índia informou hoje que pediu a transferência da diplomata Devyani Khobragade, 39, para a delegação do país na ONU.
Trata-se de uma estratégia para protegê-la dos processos que a acusam de fraude para obter visto e de pagar salários abaixo da lei para sua empregada.
Ao receber um cartão diplomático das Nações Unidas, Khobragade não poderá ser mais presa por autoridades americanas.
A mudança de função depende de aprovação do Departamento de Estado dos EUA. Atualmente, Khobragade é cônsul-geral adjunta da Índia em Nova York.
A diplomata foi presa no dia 12 e solta após pagar fiança de US$ 250 mil e ter seu passaporte retido. Ela se queixou de ter sido algemada e submetida a uma revista íntima ao chegar na prisão.
Khobragade diz ser inocente das acusações, que incluem falso testemunho. A diplomata informou que iria pagar US$ 4.500 por mês à empregada, Sangeeta Richard, também indiana.
No entanto, as autoridades constataram que a funcionária recebia US$ 573 mensais, menos que o salário mínimo de Nova York. Se condenada, Khobragade pode pegar até 15 anos de cadeia.
Protestos
O caso gerou atritos entre a Índia e os Estados Unidos nos últimos dias. No pais asiático, houve protestos pela forma que a diplomata foi tratada na cadeia. Uma loja da pizzaria Domino's foi atacada por manifestantes em Mumbai ontem.
Na Índia, políticos também questionaram a conduta das autoridades americanas. "Os EUA precisam entender que o mundo mudou e que a Índia mudou. A forma como Devyani foi tratada é um ponto preocupante para todos os países", defendeu Kamal Nath, ministro de Assuntos Parlamentares da Índia.
Em Nova York, manifestantes se reuniram com cartazes em frente ao consulado da Índia. Parte deles era formada por trabalhadores domésticos vindos do sul e do sudeste asiático.
"Passaportes confiscados, salários baixos, comunicação restrita, isso constitui tráfico de trabalhadores", defendeu Leah Obias, organizador de um grupo que defende os direitos dos imigrantes. "Há diplomatas traficando pessoas em toda a cidade e nós queremos justiça".