Cidades

'CARTEIRAÇO'

Desembargador é criticado na internet por humilhar garçom

Desembargador é criticado na internet por humilhar garçom

Redação

03/01/2014 - 13h54
Notícia sem imagem

O desembargador Dilermando Motta, do TJ (Tribunal de Justiça) do Rio Grande do Norte, virou alvo de críticas nas redes sociais depois de se envolver em uma discussão numa padaria de Natal.

O episódio ocorreu no último domingo, durante café da manhã na padaria Mercatto, na zona sul da capital potiguar.

Vídeos publicados no YouTube (VEJA ABAIXO) por testemunhas mostram o momento em que o desembargador discute com outro cliente, o empresário Alexandre Azevedo, 44.

Segundo Azevedo, que estava em uma mesa ao lado de Motta, o desembargador ficou irritado porque o garçom não colocou gelo em seu copo e gritou com o funcionário da padaria na frente dos demais clientes.

"Não satisfeito com esse escândalo, este senhor puxou o garçom pelo ombro e exigiu que lhe olhasse nos olhos e o tratasse como excelência, e disse que deveria 'quebrar o copo em sua cara'", afirma Azevedo em nota divulgada após o episódio.

Nesse momento, o empresário decidiu intervir em defesa do garçom. Nos vídeos, ele aparece exaltado enquanto grita com o desembargador e o chama "safado" e "sem-vergonha". O magistrado revida e chama Azevedo de "cabra safado" e "endemoniado".

O empresário disse à Folha de S.Paulo que não sabia com quem estava brigando, mas que não se arrepende de sua atitude.

"Eu fui tão selvagem quanto ele, mas precisei ser grosso para contê-lo. Ele ia de fato agredir fisicamente o garçom", afirmou à reportagem.

Azevedo afirma que teme sofrer algum tipo de represália e que vai entrar com uma representação contra o magistrado no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) por abuso de autoridade.

"Queira ou não, é um desembargador, é um homem poderoso e eu tenho preocupação de sofrer perseguição dele", disse.

Outro lado

Em nota divulgada pelo TJ-RN, o desembargador Dilermando Motta afirma que não houve abuso de autoridade e nega ter humilhado o garçom.

"A verdade é que um simples e moderado pedido de esclarecimentos de um cliente a um garçom, que já havia sido solucionado, gerou uma reação de um terceiro com ameaças, gritos e total desrespeito ao público presente", afirma.

No texto, Motta afirma ainda que "sem nenhum propósito revanchista, as medidas judiciais cabíveis serão adotadas".

Durante a discussão, o desembargador acionou a Polícia Militar, que deslocou quatro carros para o local. O magistrado também xingou os policiais, chamando-os de "um bando de cagão", segundo o relato do empresário, pois Motta queria que Azevedo fosse detido o que não ocorreu.

A assessoria de imprensa da padaria Mercatto divulgou nota em que lamenta o episódio e afirma que a empresa "está oferecendo todo o suporte necessário ao funcionário envolvido".
A reportagem tentou falar com o garçom, mas não conseguiu. 

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