Cidades

BAHIA

Agricultor assassinado avisou a ministros que estava sob ameaça de morte

Agricultor assassinado avisou a ministros que estava sob ameaça de morte

Redação

15/02/2014 - 19h00
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O produtor rural Juraci José dos Santos Santana, morto na madrugada da última terça-feira no município de Una (a 460 km de Salvador), denunciou à Polícia Federal e a pelo menos dois ministros do governo Dilma Rousseff (PT) que vinha recebendo ameaças de morte.

A informação foi confirmada pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e pelo deputado federal Geraldo Simões (PT-BA). 

Ambos criticaram a atuação do governo federal na mediação do conflito entre produtores rurais e indígenas pela posse de terras na região entre os municípios de Ilhéus, Una e Buerarema, no sul da Bahia.

Em discurso na Câmara anteontem, Simões afirmou que Juraci se reuniu em Brasília com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e com a então ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

Nas duas ocasiões, afirmou aos ministros que corria risco de morte.

Segundo o deputado, Juraci -líder de um assentamento composto por 45 famílias- teria sido ameaçado por não aceitar se autodeclarar índio tupinambá. O objetivo dos indígenas era fortalecer o grupo para pleitear uma fatia maior de terra na região em disputa.

Juraci também esteve reunido com vice-presidente, Michel Temer, em setembro de 2013, período em que este assumiu a Presidência interinamente.

Um dos presentes na reunião, o então vice-presidente da Caixa Econômica Federal Geddel Vieira Lima confirma que Juraci relatou as ameaças de morte ao vice-presidente, que cobrou providências ao ministro Cardozo.

"Temer telefonou para o ministro e relatou a situação. Mas infelizmente faltou coragem para enfrentar o problema e o resultado foi um inocente assassinado", afirma Geddel, que deixou o governo em dezembro.

"Escorraçada"

O deputado Geraldo Simões afirmou ainda em discurso que as tropas da Força Nacional de Segurança Pública foram "escorraçadas" da região pelos índios há uma semana, após cerca de quatro horas de tiroteio.

"Após a saída da Força Nacional, os declarados tupinambás se sentiram tão fortes que chegaram a esse crime que deixou a região inteira surpresa", afirmou o deputado.

O Ministério da Justiça nega que a Força Nacional tenha deixado a região de conflito, ressaltando que houve apenas uma relocação da base das tropas "por questões estratégicas". 

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