A General Motors pode ser acusada de causar a morte de 303 pessoas nos Estados Unidos. O número equivale a um acidente aéreo com um Boeing 777, por exemplo. O motivo teria sido o atraso da companhia para convocar o recall de alguns modelos com defeito de fabricação.
Cerca de 1,7 milhão de veículos vendidos pela marca no País apresentavam desgaste no centro do cilindro da ignição. Com isso, os carros poderiam não aguentar o peso da chave e do chaveiro, que poderia rodar para a posição de desligar com o carro em movimento. Se isso ocorresse, rodas, pedal de freio e airbags travariam, com risco de provocar graves acidentes.
Arquivo da NHTSA, agência de segurança viária dos Estados Unidos, mostra que a General Motors foi comunicada do problema em 2001, mas realizou o recall apenas em fevereiro de 2014, 13 anos depois. A convocação aconteceu após a imprensa apurar a possibilidade de entre 12 e 30 casos fatais estarem ligados ao problema. Informações da agência norte-americana Automotive News apontam que, na última semana, a Friedman Research Corporation, empresa que fornece informações a seguradoras do Texas, verificou que o número de vítimas fatais pode ter sido muito maior, chegando a 303 pessoas.
O defeito está presente em modelos como Chevrolet Cobalt, Pontiac G5, Pontiac Persuit, Saturn Iron, Chevrolet HHR, Pontiac Solstice e Saturn Sky. A General Motors evitou se posicionar sobre o caso. Segundo a agência Reuters, Mary Barra, presidente da companhia, afirmou apenas que a empresa estava “profundamente arrependida” e disposta a “garantir que a segurança dos consumidores como prioridade número um.”
Segundo Automotive News, o último acidente relacionado ao caso aconteceu em dezembro de 2009. Hasaya Chansuthus dirigia para casa em Nashville, nos Estados Unidos, quando bateu em um Volkswagen Golf, o carro deslizou na pista e atingiu uma árvore. A jovem faleceu após o impacto com o volante. A investigação comprovou que o airbag não inflou e que os sinais na pista não indicavam que a estudante tivesse tentado evitar o impacto – o que seria um indício de que as rodas podem ter travado.
A família de Hasaya processou a General Motors e, três meses depois, chegou a um acordo confidencial com a empresa. A companhia nega, no entanto, que o caso esteja relacionado com o recall que a montadora está executando.
A General Motors já passou por crise semelhante. Entre 1960 e 1963 a companhia produziu a primeira geração do Corvair. Com problemas na suspensão, o carro foi alvo de mais de 100 processos que o relacionavam a acidentes. O caso foi tratado por Ralph Nader que publicou em 1965 o livro Unsafe at any speed (Inseguro em qualquer velocidade).
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