Briga de duas mototaxistas de Campo Grande exibidas num canal de vídeos na internet reacendeu o debate acerca de um negócio ilegal, a venda de alvará, documento que permite o profissional a atuar no mercado.
No video aparecem duas mototaxistas discutindo e um rapaz como intermediador. De repente, o homem empurra uma das mototaxista, que cai no chão. Depois, ela leva um soco no rosto.
Na confusão, ocorrida na quarta-feira passada, mas exibida a partir de ontem, é possível notar que uma das mototaxista, com ajuda do rapaz, queria catar da colega uma pasta verde que, supostamente, guardava o alvará, que é emitido pela prefeitura. Uma teria comprado da outra, que ainda não havia quitado a dívida. O documento é cedido, de graça, pelo município, aos profissionais da área. Por regra, o alvará é inegociável. Um mototaxista, pode, sim, doar a autorização a alguém credenciado pela prefeitura a atuar no transporte de passageiros. O presidente do Sindicato dos Mototaxistas de Campo Grande, Dorvair Caburé disse que a briga em questão seria um caso isolado e nada teria a ver com compra ou venda de alvará. “Foi uma briga de colegas de trabalho. Um delas [mototaxista] teria comprado a moto da outra, é isso”.
Caburé informou que é legal a transferência de alvará, mas ressaltou que a medida tinha sido suspensa pelo ex-prefeito Alcides Bernal. Contudo, na administração de Gilmar Olarte, “as coisas estão andando e, logo, a normalidade será retomada”, apostou o sindicalista. O diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito, Jean Saliba, que tem como uma das tarefas tratar da liberação dos alvarás aos mototaxistas, disse que vai cumprir “o que manda a lei”, quando questionado sobre a suspensão das transferências. Ele destacou, no entanto, que a Agetran coibe a venda de alvará e, se descoberto, o documento é anulado. Mototaxistas ouvidos pela reportagem trataram o assunto com reservas, mas alguns confirmaram que “souberam” que colegas venderam alvarás “até por R$ 30 mil”.