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Comissão libera uso de mosquito antidengue no país

Comissão libera uso de mosquito antidengue no país

Redação

10/04/2014 - 18h07
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A CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, órgão responsável por verificar a segurança de novas biotecnologias no Brasil) aprovou hoje a liberação comercial de um mosquito transgênico criado para combater a dengue.

Isso quer dizer que há evidências suficientes para afirmar que o organismo não ameaça o ambiente ou as populações humanas.

A aprovação é mais um passo para que o produto, desenvolvido pela empresa britânica Oxitec, possa ser usado em larga escala em território nacional. Contudo, o mosquito transgênico ainda não pode ser comercializado.

O que já se pode fazer são iniciativas de teste do desempenho do organismo geneticamente modificado, sem depender de aprovação individual da CTNBio para cada projeto.

Como funciona
A grande sacada do mosquito é a inclusão de um gene que não mata seu possuidor, mas, ao ser transmitido aos descendentes, mata-os antes de chegarem à fase adulta.

Como só as fêmeas do Aedes aegypti picam (e assim contraem e transmitem o vírus causador da dengue), os pesquisadores só liberam os machos transgênicos no ambiente.

Ao encontrar fêmeas selvagens, esses machos modificados as fecundam, e os ovos ganham o gene "mortal". Assim ocorre a redução da população de mosquitos.

Essa é a teoria. Como funciona na prática?

Pequena escala
Testes anteriores iniciados em 2011 na cidade de Juazeiro, na Bahia, mostraram redução acima de 80% na população de mosquitos selvagens. Num dos dois bairros em que ocorreram os testes, Itaberaba, a queda foi de 81%. Em Mandacaru, 93%.

Outro experimento realizado nas Ilhas Caiman conseguiu taxa de 82%, e os resultados mais recentes, divulgados hoje pela Oxitec, apontam uma taxa de redução de 79% no bairro de Pedra Branca, em Jacobina (BA).

Todas as iniciativas de uso do mosquito da Oxitec realizadas no Brasil foram feitas em parceria com a organização social Moscamed.

Sem vender
Para comercializar seus mosquitos, a Oxitec ainda precisa de um registro comercial do produto. Como não existe um protocolo definido para algo como um mosquito transgênico, a empresa conversa com o governo brasileiro a fim de encontrar o caminho para a obtenção do registro.

"Esperamos notícias para as próximas semanas", diz Glen Slade, diretor global de desenvolvimento de negócios da companhia britânica, que já se instalou no Brasil e montou uma fábrica de mosquitos em Campinas (SP).

A infra-estrutura instalada é capaz de fabricar 2 milhões de mosquitos por semana. Pode parecer bastante, mas os executivos da empresa estimam que qualquer projeto maior que os atuais exigirá a construção de outras unidades.

Eles estimam que uma iniciativa que envolva uma cidade de 50 mil habitantes deve consumir, em seu primeiro ano, entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões. Depois, nos anos seguintes, que envolveriam só manutenção, o custo cairia para menos de R$ 1 milhão.

Até agora, com taxa de redução na faixa de 80%, essa é a estratégia mais eficaz já vista para combater o mosquito.

Em geral, o que de melhor se pode fazer sem a biotecnologia é reduzir os locais em que o Aedes aegypti pode depositar seus ovos --como locais que abrigam água parada.
 

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