Num aparente gesto de boa vontade para consolidar avanços nas conversas nucleares, o Irã disse ter comunicado às potências globais a intenção de modificar a configuração de um reator atômico em construção no sul do país.
Países ocidentais temem que o polêmico reator de Arak, uma vez construído, poderá ser usado para gerar plutônio em quantidade suficiente para uma bomba atômica.
"Explicamos que vamos redesenhar o coração do reator de Arak para que sua produção de plutônio seja drasticamente reduzida", disse o chefe da Organização Iraniana de Energia Atômica, Ali Akbar Salehi, citado na noite de ontem pelo site da Press TV.
"[As potências negociadoras] ficaram surpresas quando viram nossa reação lógica e científica", afirmou Salehi, que não participa diretamente das negociações, mas coordena todas as instalações nucleares iranianas.
O reator de Arak é um dos principais pontos de divergência nas negociações entre o Irã e o grupo de potências que reúne EUA, China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha.
As conversas visam definir contornos de um acordo definitivo para suceder o pacto interino atualmente em vigor, que expira em julho. Em função do entendimento preliminar, Teerã já reduziu seu programa nuclear e, em troca, beneficiou-se de um alívio parcial das sanções.
Iranianos negam a intenção de adquirir a bomba e alegam que o reator de Arak servirá para fabricar material radioativo para uso medicinal.
O risco, segundo críticos, é que o Irã reprocesse o combustível usado do reator para extrair plutônio em escala necessária à fabricação da bomba.
Segundo analistas, o risco de desvio para fins militares diminui consideravelmente se Teerã configurar a planta de Arak para que produza plutônio em quantidades mínimas.
Não está claro se as potências aceitarão a proposta iraniana ou se exigirão o desmantelamento total da obra em Arak.
Outros pontos de atrito nas negociações sobre um acordo definitivo incluem ainda o programa de mísseis do Irã, as próximas sanções ocidentais a ser levantadas e as centrífugas nucleares iranianas, que podem, em tese, ser usadas na fabricação de outro tipo de bomba atômica, de urânio.