
Empresário de loja de bicicletas mostra um dos modelos mais caros (Foto: Gerson Oliveira)
A brincadeira de andar de bicicleta há tempos deixou de ser coisa de criança para se tornar negócio sério para muitos adultos de Campo Grande, que investem alto no hobby. Os mais apaixonados – e claro, com poder aquisitivo para bancar o desejo – chegam a pagar R$ 42 mil pela magrela (preço mais alto encontrado para vender nas lojas da Capital). O valor seria o suficiente para comprar um carro e motocicleta, nos modelos populares mais vendidos (Gol e Honda CG 150), e ainda com uma sobra para pagar as despesas com emplacamento.
E os gastos não param aí. Junto à bicicleta vem a necessidade dos acessórios: capacete, luzes, suporte para garrafa de água, roupa e sapato próprio, pedais etc. O kit básico fica em média R$ 1 mil, mas pode pode ultrapassar R$ 3 mil com itens “tops” de linha.
Mas para quem é apaixonado, “valeu a pena cada valor investido”, como resume o ciclista nas horas vagas, Samuel Sandri, de 31 anos. Quando era adolescente, ele conheceu as “potentes” bicicletas nas competições de trilha. O esporte foi substituído pela faculdade de Direito, mas há alguns meses ele resolveu voltar a andar sob duas rodas por hobby e, como já conhecia o que era bom, fez questão de investir em uma “máquina” – com valor superior a um carro popular.
“Quis me dar de presente a bike. Família ou leigo que olha não entende, mas eu comprei porque gosto, sei que é um produto bom. Poderia fazer muitas outras coisas com o dinheiro, mas a bike é meu lazer, com ela faço novos amigos e até clientes profissionais”, declara.
Saúde
Outro apaixonado pela “magrela”, João Carlos Alves, de 42 anos, justifica cada crítica sobre os gastos com a bicicleta com um argumento forte: “é meu plano de saúde, o que me faz feliz”. Ele não revela quanto pagou na bike, apenas que optou por uma intermediária (varia de R$ 5 a R$ 20 mil nas lojas da Capital) quando resolveu investir na paixão, há cerca de dois anos.
“Queria uma bicicleta boa, com material mais confortável e resistente para as trilhas que fazemos. O freio é melhor e o desgaste na hora de pedalar é bem menor. Mas família sempre fala que está gastando demais com isso, que poderia investir na casa, carro”, afirma.
Como qualquer compra de alto valor, ele diz que precisou se planejar e abrir mão de algumas regalias, mas hoje afirma que foi o “melhor investimento” e que, além de ser seu lazer, a bicicleta já serviu de meio de locomoção para viagens turísticas.
O empresário Francisco Pedra Neto, de 31 anos, conta que “minha mulher reclama às vezes, mas digo que prefiro trocar de bicicleta do que de carro”. Ele está “namorando” o próximo produto que deverá comprar e em virtude das pedaladas já perdeu 12 quilos.
Moda
Quem é adepto das bikes de alto-padrão admite que andar de bicicleta em Campo Grande virou moda e, consequentemente, as escolhas pelos produtos muitas vezes são guiadas muito mais pelo valor agregado das marcas, do que é novidade, em vez de simplesmente o que é confortável ou necessidade.
“Quando surge uma coisa nova no mercado ou entre os integrantes do grupo, o pessoal sempre acaba indo atrás também. Seja equipamento de segurança ou acessório. As marcas também contam muito. Virou moda, né”, diz Samuel, que admite que gosta de acompanhar os lançamentos “tops” do segmento e já gastou mais de R$ 5 mil com os itens.
O interesse dos consumidores faz com que os lojistas do setor também fiquem atentos e invistam em equipamentos diferenciados. “Ciclista, a maioria, é vaidoso, gosta do que é novidade. Raramente compramos algum produto novo e fica encalhado, sempre tem mercado”, diz o gerente de loja de bicicletas, Gilmar Elias
Batista Júnior.
Ele explica que tem opções para todos os gostos e bolsos, mas que há cerca de dois anos, com o crescimento do mercado, a loja passou a investir também nas bikes de alto-padrão, com valores acima de R$ 7 mil. “Tem mercado, é uma venda mais difícil, mas Campo Grande tem muita gente hoje investindo alto nas bikes”, diz.