O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, suas duas filhas e seus genros são réus numa ação penal sob acusação de tentar ocultar e destruir provas durante busca da Operação Lava Jato, no último mês, no Rio de Janeiro.
A Justiça federal do Paraná aceitou hoje à tarde a segunda denúncia contra o ex-diretor da Petrobras.
Costa foi preso no dia 20 de março porque a Polícia Federal descobriu que, enquanto agentes faziam buscas na casa do ex-diretor, suas duas filhas e os genros estariam "retirando volumes significativos de material, ainda não identificado". Houve também a retirada de dinheiro, de acordo com relatórios policiais.
A PF descobriu a ida das filhas ao escritório por meio de imagens de câmeras de seguranças instaladas no escritório da Costa Global Consultoria.
O ex-diretor da Petrobras já é réu numa ação por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro junto com o doleiro Alberto Youssef, aberta pela Justiça federal do Paraná na semana passada. O juiz disse na decisão que há suspeita de desvios de recursos públicos na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
Costa é acusado de manter negócios com o doleiro, acusado de comandar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 10 bilhões, de acordo com a PF.
Outro lado
O advogado de Costa, Fernando Fernandes, alega que a visita dos familiares ao escritório no momento em que ocorria a busca na casa do executivo foi mera coincidência, já que as filhas não sabiam que a PF faria buscas no local.
Fernandes disse que Costa estava detido pela PF e não tinha condições de dar ordem para as filhas destruírem ou ocultarem provas.
Ainda segundo o advogado, o juiz federal Sérgio Moro não tem competência legal para tratar de um suposto sumiço de provas ocorrido no Rio de Janeiro.
De acordo com o defensor, mesmo se as filhas tivessem ocultado provas, isso seria lícito. "Uma filha ou mulher não podem ser acusados por tentar ajudar o pai. Um filho tem o direito de proteger o pai contra o Estado."
Fernandes afirmou também que Moro cometeu fraudes ao decretar novamente a prisão de Costa quando os tribunais superiores estavam prestes a julgar um pedido de liberdade. "O juiz tem uma tradição de arbitrariedades e tem cometido fraudes para evitar a soltura do Paulo Roberto."
O juiz não quis comentar a acusação do advogado de que cometeu fraudes.
Mais doleiros
A Justiça federal do Paraná também abriu ações contra a doleira Nelma Kodama, acusada de fazer remessas ilegais de US$ 5,2 milhões entre maio e novembro do ano passado. Nelma foi presa em Guaruhos em março, quando tentava embarcar para a Itália com 200 mil euros escondidos na calcinha.
Também foi aceita uma nova denúncia contra o doleiro Carlos Habib Chater, que manteve negócios com Alberto Youssef, segundo a Polícia Federal.
A Folha não conseguiu localizar as defesas de Kodama e Chater.