Pelos próximos 12 meses, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren/MS) vai ser administrado por uma Junta Interventora. Irregularidades na prestação de contas da entidade, identificadas pelo Conselho Federal da categoria, culminaram com o afastamento dos antigos dirigentes.
Decisão publicada ontem no Diário Oficial da União, afirma que houve “inconformidades” que se caracterizam como “restrição de ordem grave, sobretudo aquelas que caracterizam reincidência”. A auditoria do Cofen focou as áreas administrativas e financeiras da entidade em MS.
A investigação identificou problemas nas contas do conselho regional referente ao ano de 2012, quando a presidente era a Amarílis Pereira Amaral Scudellari. No último dia 5 de abril, ela se licenciou do cargo para poder concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado. Desde então, a presidência ficou a cargo de Arino Sales do Amaral, que com a intervenção, acaba de ser afastado.
O presidente interventor, Diogo Nogueira do Casal, que é de Rondônia, se reuniu com a nova e a antiga diretoria ontem. “Hoje (ontem) estamos implantando os trabalhos da intervenção e temos 60 dias para repassar ao Conselho Federal um relatório circunstanciado das atividades”.
Nogueira não comentou, no entanto, detalhes das irregularidades identificadas. “Na verdade, não podemos informar nada além do que já é público. Estamos cumprindo uma determinação do Conselho Federal e vamos manter as atividades administrativas e financeiras, e até melhorar”.
O ex-presidente, Arino Sales do Amaral, que ficou no cargo menos de um mês, disse que não foi pego de surpresa, já que desde o dia 25 de abril, quando aconteceu plenária onde se tomou a decisão, o Coren/MS já sabia que a diretoria seria trocada.
Servidores ouvidos pela reportagem detalharam que muitas eram as irregularidades da antiga administração, que foi chamada de “irresponsável”. “Foi feito uso da máquina pública para favorecimento pessoal”.
Ocorriam fraudes em licitações e contratações irregulares. Um exemplo, conforme um servidor, foi de que durante a Semana de Enfermagem, que aconteceu em maio de 2013, funcionários foram contratados “sem seguir o trâmite correto, somente para que os eventos deslumbrem”.
“A decisão do Cofen é extremamente política. Essa intervenção não é só aqui, em outros estados também”, afirmou a ex-presidente, Amarílis Pereira, negando qualquer irregularidade em sua gestão.