Teko Arandu, nome da orquestra indígena terena baseada em Anastácio, significa “modo sábio de viver”, em guarani. A escolha para nomear um grupo musical com esse nome não poderia ser mais correta. Agora, o grupo é o representando de Mato Grosso do Sul em uma série de ações culturais que acontecerão paralelamente no Rio de Janeiro, durante a primeira semana de julho.
Por três dias, a orquestra formada por 30 jovens indígenas da aldeia urbana de Anastácio se apresentarão em seis centros culturais cariocas. Eles não viajam sozinhos. Outros dez dançarinos do grupo Guaté, de Dourados, irão acompanhá-los durante a viagem. “Será um grande desafio, estamos todos ansiosos”, afirma a coordenadora da orquestra Maria Cristina.
Fruto de ações de arte-educação, que têm como objetivo afastar os jovens de situações de risco por meio da música e da cultura, a Orquestra Teko Arandu foi formalizada há oito meses. Contando com apoio da empresa de telecomunicações Oi, por meio do Programa Oi Novos Brasis, o grupo conseguiu reunir instrumentos para se configurar enquanto orquestra.
“No início foi uma grande dificuldade chegar aos alunos e mostrar à aldeia que se tratava de um trabalho importante”, explica Maria. Ela contou com o apoio de familiares e com a experiência de cerca de 26 anos em arte-educação. “Depois que conseguimos apresentar o projeto e mostrar o potencial que ele tinha, o apoio foi grande”.
Em direção ao mar
De acordo com Adriano Castro, gerente de projetos do Instituito Ressoarte, responsável pela manutenção da Orquestra Teko Arandu, 114 projetos de todo o País foram classificados para apresentações nas 12 cidades-sedes da Copa de 2014. Os únicos representantes sul-mato-grossenses são a orquestra e o grupo de dança.
“Os dois se apresentarão juntos para apresentar a cultura indígena ao público”, explica. A expectativa, segundo ele é grande, sobretudo pois o número de turistas na cidade será alto. “Os jovens músicos estão se preparando”, aponta.
Formada há oito meses, a Orquestra Indígena Teko Arandu nasceu de uma banda marcial que era mantida na região. “É um projeto que trabalho a autoestima e a comunicação com os jovens indígenas. Portas foram abertas no contato com eles”, argumenta Adriano.
Agora, a palavra que impera entre os integrantes tanto da orquestra, quanto do grupo de dança, é “ansiedade”. “Todos estão ansiosíssimos. É uma oportunidade de reconhecimento, portanto estamos trabalhando muito e com muita calma”, aponta Maria Cristina. Segundo ela, as apresentações terão a inserção de elementos indígenas às músicas de concerto executadas pelo grupo.
Atualmente, 125 crianças, adolescentes e jovens, entre seis e 24 anos das comunidades e escolas indígenas da rede pública de ensino de Anastácio e Aquidauana, são atendidos pela Teko Arandu. A partir do ensino musical seriado, a orquestra tem mudado a realidade de alguns jovens.
“Estamos afastando as crianças e adolescentes do consumo de drogas, álcool e dos problemas sociais aos quais elas poderiam estar expostas”, reforça Maria.