Em documento encaminhado nesta segunda-feira (26) à CPI da Petrobras, o ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli diz que alguns aditivos e contratos da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, foram submetidos à diretoria executiva da Petrobras.
A afirmação representa um recuo em relação ao depoimento prestado por ele à comissão de inquérito na semana passada.
No depoimento, Gabrielli disse que a refinaria Abreu e Lima tinha um conselho de administração próprio, que tomava decisões sobre a assinatura de novos contratos e aditivos sem submetê-las ao comando da estatal.
A Petrobras divulgou nota um dia depois da presença da Gabrielli na CPI para afirmar que "todos os contratos e aditivos da refinaria foram submetidos previamente" aos seus órgãos competentes.
No documento, o ex-diretor afirma agora que alguns contratos e aditivos eram levados diretamente à refinaria, mas outros passavam pela diretoria executiva da Petrobras.
"Os aditivos e contratos da Rnest [Refinaria de Abreu e Lima] passavam pela análise e aprovação de vários órgãos da empresa antes de serem encaminhados à Refinaria de Abreu e Lima. Alguns, em razão de valor ou de matéria, eram submetidos à diretoria executiva da Petrobras", diz Gabrielli.
O ex-diretor também afirma que os demais aditivos eram "analisados e aprovados por outras autoridades da Petrobras nos seus limites de competência" e que todos eram de responsabilidade executiva da refinaria.
Gabrielli justifica sua declaração ao afirmar que saiu da estatal em fevereiro de 2012 e respondeu a um "expressivo número de perguntas" de diversos assuntos na CPI.
No documento, o ex-diretor admite que, durante seu depoimento à comissão de inquérito, afirmou que "os aditivos não chegam à diretoria da Petrobras", portanto a estatal "não tem como falar sobre os aditivos porque eles não chegaram à diretoria da Petrobras, porque eles eram resolvidos no âmbito da Rnest".
Em entrevista ao deixar a sessão da CPI, Gabrielli também afirmou que a refinaria funcionava como uma subsidiária da Petrobras e tinha a "competência" de tomar as decisões sobre aditivos e contratos. O ex-presidente chegou a afirmar que a mesma sistemática ocorria com a BR Distribuidora, que "toma decisões sem a diretoria da Petrobras tomar conhecimento".
Na nota que desmente Gabrielli, a Petrobras afirma que está "equivocada" a informação divulgada pelo ex-presidente porque são realizadas pelo comando da estatal análises técnicas, comerciais, tributárias e jurídicas sobre os contratos e aditivos da Abreu e Lima.