Como o projeto de revitalização da área central e a implantação de corredores do transporte coletivo deve suprimir 3.500 vagas de estacionamento do centro de Campo Grande, a Prefeitura pretende estimular a iniciativa privada a investir na abertura de vagas com estacionamentos verticais e subterrâneos. Só na avenida Afonso Pena, uma das vias para onde está planejado o corredor de transporte sudoeste, serão suprimidas 800 vagas.
Segundo o diretor-presidente do Instituto Municipal de Planejamento (Planurb), Marcos Cristaldo, o mecanismo que será utilizado para atrair investidores é o de parcerias público-privadas. O município oferecerá espaços públicos onde os investidores construirão garagens subterrâneas e terão concessão para explorar e cobrar pelo serviço. São considerados potencialmente viáveis para este empreendimento os subsolos do estacionamento do mercadão municipal; as praças Ary Coelho e do Rádio Clube, o Paço Municipal ; a Central de Atendimento o Cidadão . “Vencerá o processo licitatório quem combinar a melhor técnica, com a proposta de tarifa mais barata”, explica Marcos Cristaldo.
As linhas gerais destes estudos técnicos sobre as alternativas para abrir vagas de estacionamento no centro da cidade foram reveladas durante audiência pública nesta segunda-feira na Câmara Municipal, quando durante mais de três horas foram debatidas questões como o projeto da mobilidade urbana e o Reviva o Centro, lançado em 2009, que entidades do setor comercial estão cobrando a implantação. Será preciso investir 56 milhões de dólares, recurso que a Prefeitura pleiteia junto ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) por meio de financiamento.
Como solução imediata para a questão do estacionamento, durante a audiência foram sugeridas algumas alternativas, como a utilização das 250 vagas de estacionamento da antiga rodoviária e de mais 250 do estacionamento da feira central. “Estas vagas serão destinadas aos comerciantes e comerciários da área central que hoje param seus veículos em frente das lojas, em detrimento dos consumidores”, informa o presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito. A Agetran deve criar uma linha de ônibus no quadrilátero central, com horários específicos, para comerciários e comerciantes se deslocarem até a feira.
Segundo a coordenadora da central de projetos da Secretaria de Governo, Catiana Sabadin, nada será feito de forma precipitada. Existe a preocupação de reduzir o impacto das intervenções sobre o movimento comercial. Só na 14 de Julho, onde será ampliado o espaço de circulação do pedestre, a previsão é de que sejam eliminadas 400 vagas de estacionamento. O projeto executivo de revitalização da rua mais tradicional de Campo Grande deve ficar pronto em 60 dias, abrangendo o trecho entre a Fernando Corrêa da Costa e a avenida Rachid Neder. “Isto não significa que haverá intervenção em todo este trajeto”, faz questão de observar Catiana. Está previsto o cabeamento subterrâneo das redes elétrica e de telefone, padronização da calçada que avançará sobre uma das pistas de tráfego, o que obrigará a proibição de estacionamento e a mudança do itinerário.