Com empreitadas realizadas apenas com dinheiro emprestado e sem abrir novas frentes de obras, a Prefeitura de Campo Grande investiu o menor valor na cidade dos últimos nove anos, conforme matéria publicada nesta segunda-feira (11), no jornal Correio do Estado. A única obra de expressão lançada com verba própria pelo Executivo foi o recapeamento da Avenida Guaicurus, na saída para São Paulo, empreita avaliada em R$ 10,5 milhões. Obras do posto de saúde do Bairro Parati, por exemplo, deveriam começar neste ano e seguem empacadas. A administração municipal alega “arrocho” financeiro e anunciou, ainda em junho, que Campo Grande não receberia novos canteiros de obra, fora os já anunciados anteriormente, como a pavimentação de algumas ruas de 17 bairros, porém, apenas 12 devem ser contemplados neste ano.
Mesmo afirmando não ter dinheiro, a prefeitura encaminhou a abertura de três novas secretarias municipais, ao custo estimado de R$ 850 mil cada, levando em consideração apenas os gastos com salários, fora a estrutura física necessária para o funcionamento das pastas. De janeiro a junho deste ano, a prefeitura investiu R$ 51 milhões em Campo Grande, valor 13% menor que os R$ 59 milhões usados pela gestão passada, do prefeito cassado Alcides Bernal, já considerada um fracasso pelo campo-grandense, no que diz respeito a novas obras.
No primeiro semestre, foram R$ 8,5 milhões investidos ao mês pelo Executivo municipal. O valor é o menor registrado nos bancos de dados do próprio município, que estão disponíveis apenas desde 2006 para cá. Com as informações incompletas no Portal da Transparência municipal – outro problema, este já denunciado pelo Ministério Público Estadual –, a reportagem cruzou os poucos dados disponíveis on-line com diários oficiais para realizar o levantamento. Em 2012, por exemplo, último da gestão de Nelson Trad Filho à frente da Capital, foram investidos R$ 39 milhões a cada 30 dias na Capital. Em 2011, foram R$ 22,5 milhões mensais; R$ 23,8 milhões no ano anterior e R$ 19 milhões ao mês em 2009. Em 2008, foram R$ 20 milhões a cada 30 dias. A reportagem é de Vinicius Squinelo.