A Vigilância Sanitária encontrou 14 irregularidades no setor de quimioterapia da Santa Casa de Campo Grande, onde três pacientes em tratamento de câncer morreram, no mês passado. De acordo com o laudo, logo após os óbitos, o setor não possuía sequer licença sanitária. No entanto, o advogado André Borges Netto rebateu, na quinta-feira (14), todas as irregularidades apontadas sobre o serviço do Centro de Oncologia e Hematologia de MS. Ele já apresentou defesa contestando o laudo, conforme matéria publicada nesta sexta-feira (15), no jornal Correio do Estado.
No documento da Vigilância Sanitária consta que os profissionais do setor também não apresentaram o livro de registro com o controle de preparo dos medicamentos, para cada paciente. Na época, o serviço era prestado pelo Centro de Oncologia e Hematologia de MS. A Santa Casa assumiu o setor, após a repercussão das mortes. Ainda conforme o laudo, o setor também atendia sem possuir as “Boas Práticas de Funcionamento do Serviço de Terapia Antineoplásica”. O documento a que o Correio do Estado teve acesso aponta que havia quebra de rotina na manipulação, contrariando as boas práticas de preparo de medicamentos quimioterápicos.
Segundo o advogado, a licença sanitária só não foi renovada porque a Vigilância Sanitária exigiu alvará dos bombeiros. “Uma exigência desnecessária porque o centro funcionava dentro da Santa Casa, que dispunha de todas as licenças necessárias de funcionamento”. A falta de boas práticas de funcionamento no setor também foi contestada por ele. Cópias de normas e manuais de procedimentos, de acordo com Borges, sempre foram distribuídas a todos os funcionários, que nunca deixaram de seguir as recomendações. O advogado contrariou ainda a denúncia de que o setor não dispõe de livro de registro sobre as terapias. E destacou que, inclusive, “a programação das terapias a serem realizadas era previamente registrada em agenda individual de cada médico responsável”. A Polícia Civil também apura as mortes no setor de oncologia da Santa Casa, todos os corpos já foram exumados. A reportagem é de Rafael Bueno.